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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE
“ATESTADO SERVIU PARA O INDEA, MAS NÃO IMPEDIU SESSÕES, VIAGENS E DIÁRIAS”: caso envolvendo afastamento médico de 60 dias, atuação política normal e dinheiro público virou investigação no Ministério Público e batalha judicial em Sinop.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O vereador bolsonarista Rodrigo Gargantini (Partido Novo), de Sinop, decidiu levar à Justiça uma disputa que começou após denúncias envolvendo o uso de um atestado médico de 60 dias apresentado ao INDEA-MT enquanto seguia exercendo normalmente suas atividades políticas na Câmara Municipal.

O caso ganhou repercussão após o presidente do PT de Sinop, Ney da Saúde, tornar públicas informações e documentos apontando possíveis contradições entre o afastamento médico apresentado ao órgão estadual e a intensa agenda política mantida pelo parlamentar durante o mesmo período.

Segundo a denúncia apresentada ao Ministério Público de Mato Grosso, Gargantini teria recebido afastamento médico com indicação de repouso total no INDEA, alegando incapacidade laboral temporária. Entretanto, durante exatamente os mesmos 60 dias, continuou participando de sessões legislativas, discursando na tribuna, realizando reuniões, agendas públicas, viagens e compromissos políticos.

Vídeos, registros públicos, atas da Câmara e publicações nas redes sociais mostram o vereador mantendo atuação política ativa enquanto o atestado seguia válido junto ao órgão estadual.

Outro ponto que passou a chamar atenção da população foi o recebimento de diárias parlamentares durante o período do afastamento médico. Documentos anexados anteriormente ao caso apontam pagamentos de R$ 4.946,25 em diárias públicas.

Diante das informações, Ney da Saúde protocolou representação formal no Ministério Público pedindo investigação sobre possível irregularidade envolvendo dinheiro público, afastamento remunerado e eventual prejuízo ao erário.

O caso deixou de ser apenas debate político nas redes sociais e passou oficialmente para análise do Ministério Público de Mato Grosso, que abriu procedimento na área de Patrimônio Público para apurar os fatos.

Enquanto a investigação avançava, Rodrigo Gargantini reagiu judicialmente.

O vereador ingressou com uma queixa-crime contra Ney da Saúde acusando o presidente do PT de Sinop dos crimes de calúnia, difamação e injúria pelas publicações feitas nas redes sociais e no site A Voz do Povo em Tela.

Na ação, o parlamentar pede condenação criminal, retirada de conteúdos publicados, retratação pública e indenização por danos morais no valor de 25 salários mínimos, equivalente a R$ 37.950,00.

O processo também solicita aplicação de multa diária em caso de novas publicações e até medidas de bloqueio ou suspensão de perfis e páginas ligadas às denúncias.

Na defesa apresentada dentro da própria ação, Rodrigo Gargantini sustenta que as funções exercidas como vereador seriam diferentes das atividades desempenhadas no INDEA-MT, alegando que o mandato parlamentar não exigiria os mesmos esforços físicos do cargo estadual.

O problema é que a própria estrutura do INDEA possui também atividades administrativas, internas e burocráticas, muito semelhantes às funções exercidas diariamente dentro do Legislativo, como atendimento, análise documental, despachos, reuniões e atividades de escritório. É justamente aí que nasce a principal contradição que agora precisa ser esclarecida pelo Ministério Público perante a população sinopense.

Afinal, se havia capacidade para comparecer à Câmara, discursar, participar de reuniões, viajar, gravar vídeos e manter agenda política ativa, por qual motivo não existiria condição para desempenhar atividades administrativas no órgão estadual?

Essa resposta não interessa apenas à disputa política — interessa ao contribuinte, porque é o dinheiro público que paga salários, diárias e toda a estrutura mantida pelo Estado.

Outro ponto que também passou a ser debatido nas redes sociais é o comportamento político adotado pelo próprio vereador Rodrigo Gargantini. Em seus perfis e manifestações públicas, o parlamentar frequentemente utiliza tom duro contra o Governo Federal, contra o PT e contra pessoas que pensam diferente de sua posição ideológica, fazendo críticas, ataques políticos e discursos inflamados contra adversários. Porém, segundo aliados de Ney da Saúde, quando os questionamentos passaram a envolver sua própria conduta, especialmente sobre o atestado médico, diárias e dinheiro público, a reação deixou o campo do debate político e foi parar na Justiça. Para críticos do vereador, isso evidencia uma contradição cada vez mais comum na política brasileira: enquanto alguns defendem liberdade total para atacar adversários, passam a pedir punição e indenização quando se tornam alvo de questionamentos públicos envolvendo recursos pagos pelo contribuinte.

E quando recursos públicos entram no centro de um caso como esse, transparência deixa de ser opção e passa a ser obrigação.

Agora, caberá ao Ministério Público e à Justiça cruzar documentos médicos, agendas parlamentares, registros de presença, viagens, pagamentos e demais provas para esclarecer à população se houve apenas uma controvérsia política… ou possível irregularidade envolvendo dinheiro público.


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