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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE
Enquanto o governador ataca obras federais, população do Noroeste vê rodovia estadual recém-entregue literalmente se desfazendo em pó; TCE fala em dinheiro público “jogado fora” e auditoria deve investigar responsabilidades.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O discurso de eficiência vendido pelo governo de Mato Grosso acaba de bater de frente com a realidade brutal da MT-170. A rodovia, apresentada como símbolo de desenvolvimento para a região Noroeste do estado, virou motivo de revolta popular após o asfalto recém-entregue começar a literalmente se desfazer. O cenário é tão grave que o próprio presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, declarou que a estrada “esfarelou” e precisará ser praticamente refeita do zero.

A situação expõe uma crise que vai muito além de buracos na pista. Estamos falando de milhões em dinheiro público aplicados em uma obra que, em menos de um ano, virou sinônimo de desperdício, incompetência administrativa e possível falha grave de fiscalização.

O mais grave é que tudo isso explode justamente no momento em que o governador Otaviano Pivetta intensifica ataques contra o Governo Federal e tenta vender a imagem de que Mato Grosso faz obras melhores e mais rápidas. O problema é que agora o próprio estado terá que explicar por que uma rodovia recém-pavimentada se transformou em “farelo”.

Segundo Sérgio Ricardo, o TCE vai realizar uma auditoria específica para descobrir quanto dinheiro foi gasto, quanto será necessário para reconstruir a estrada e quem deve ser responsabilizado pelo desastre. A declaração foi dura e deixou claro o tamanho do problema:

“Vamos fazer uma auditoria específica para saber o que foi feito e o que vai se gastar para refazer essa rodovia.”

A denúncia foi levada ao Tribunal por vereadores e lideranças políticas de municípios como Aripuanã, Castanheira, Cotriguaçu, Colniza, Juína e Juruena. O relato é assustador: a estrada não apresenta apenas buracos comuns. O asfalto simplesmente perdeu consistência, se desintegrou e virou pó em vários trechos.

O presidente do TCE foi ainda mais contundente ao afirmar que não existe recuperação possível para a pista atual:

“Ela acabou toda. Esfarelou. Tem que tirar todo esse lixo e fazer tudo novamente.”

E aí surge a pergunta que a população mato-grossense começa a fazer: quem vai pagar essa conta?

Porque o cidadão já pagou uma vez. Pagou através dos impostos. Pagou acreditando na promessa de infraestrutura. Pagou acreditando no marketing do “estado eficiente”. Agora descobre que talvez tenha financiado um dos maiores vexames da infraestrutura recente de Mato Grosso.

Enquanto isso, ambulâncias arriscam vidas em uma rodovia deteriorada, produtores enfrentam aumento no custo do transporte e moradores convivem diariamente com insegurança e abandono. O próprio presidente da Câmara de Cotriguaçu alertou que o problema impacta diretamente o preço dos produtos e o atendimento de saúde da população da região.

Outra revelação grave envolve as empresas responsáveis pela obra. O TCE informou que convocará as construtoras MT-Sul, Guache, Cavalca e Agrimat, além da Consol, responsável pela fiscalização contratada pelo Governo do Estado. Segundo as denúncias apresentadas ao Tribunal, existiriam problemas até mesmo relacionados às garantias contratuais da obra.

A situação é ainda mais revoltante porque Mato Grosso possui uma das economias mais fortes do agronegócio brasileiro, arrecada bilhões e vive um período de alta histórica na arrecadação estadual. Mesmo assim, a população continua convivendo com obras questionáveis, terceirizações polêmicas na saúde e agora estradas que se desfazem antes mesmo de envelhecer.

Em ano pré-eleitoral, o caso da MT-170 tem potencial para virar um dos maiores símbolos do desgaste político do grupo que governa Mato Grosso. Afinal, não se trata de oposição inventando narrativa. Trata-se do próprio Tribunal de Contas reconhecendo a gravidade da situação e falando publicamente em dinheiro público desperdiçado.

A população quer respostas. Quer saber quem autorizou. Quem fiscalizou. Quem recebeu. Quem assinou. E principalmente: quem será responsabilizado por transformar uma obra milionária em pó.

Porque propaganda não segura ambulância na estrada. E marketing político não tapa buraco feito de incompetência.


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