
Extrema direita leva um tombo histórico no maior colégio eleitoral da Argentina, em meio a escândalos de corrupção e rejeição ao “Plano Motosserra”.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
No último domingo (7), a maior província da Argentina rejeitou o projeto ultraliberal de Javier Milei e expôs as rachaduras de um governo atolado em escândalos de corrupção e fracassos econômicos. O “Plano Motosserra”, que desmonta políticas sociais e mergulha o povo na pobreza, foi rejeitado em peso pela população.
Com 99% das urnas apuradas, a coalizão Força Pátria, que representa o peronismo de centro-esquerda, conquistou cerca de 47,28% dos votos válidos na província de Buenos Aires, derrotando o partido de Milei, La Libertad Avanza (LLA), que amargou pouco mais de um terço do eleitorado. A derrota no maior colégio eleitoral do país tem peso de terremoto político, já que a província concentra quase 40% dos eleitores argentinos.
A simbologia é clara: Milei prometeu “acabar com a casta”, mas sua gestão se transformou em uma usina de escândalos e caos. O caso mais explosivo envolve justamente sua irmã, Karina Milei, acusada de comandar um esquema de propinas milionárias em contratos de medicamentos para pessoas com deficiência. Gravações secretas, áudios vazados, acusações de espionagem e operações policiais completam o roteiro distópico de um governo que se dizia “limpo” e “antissistema”.
Enquanto isso, a vida real não perdoa: 53% da população argentina já vive em situação de pobreza, a inflação segue corroendo salários e os cortes brutais em saúde, educação e subsídios empurraram milhões ao desespero. A tal “motosserra” de Milei só cortou do povo — o mercado financeiro e seus amigos continuam bem abastecidos.
A derrota em Buenos Aires foi recebida com pânico pelos investidores: o peso despencou até 7%, os títulos públicos caíram até 9% e a Bolsa de valores também registrou perdas. No Congresso, a oposição aproveitou o embalo e derrubou vetos presidenciais, inclusive garantindo benefícios para pessoas com deficiência, justamente o setor envolvido no escândalo da irmã do presidente.
O governador Axel Kicillof, reeleito com ampla margem, surge agora como alternativa nacional sólida para 2027, reforçando o peronismo como bloco unido, enquanto Milei assiste seu capital político se desintegrar em tempo recorde. Analistas já falam no “síndrome do terceiro ano”, aquele momento em que presidentes argentinos perdem legitimidade. A ironia é que Milei conseguiu essa façanha sem nem mesmo completar o período.
O recado das urnas, confirmado nesta terça-feira (9), é direto: o povo argentino não vai aceitar pagar a conta de um governo que desmonta direitos, governa com arrogância e mergulha em escândalos familiares. Buenos Aires mostrou que a resistência à extrema direita está viva, e que o suposto “outsider” não passa de mais um político atolado em corrupção, promessas vazias e um manual de fracassos.
Em outubro, os argentinos voltarão às urnas para as eleições parlamentares nacionais. A derrota no maior colégio eleitoral é um presságio sombrio para Milei, que pode assistir sua “revolução libertária” ser triturada pela própria democracia.

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