
Enquanto os falsos moralistas passam o dia chamando Lula e o PT de ladrões nas redes sociais, a Justiça de Mato Grosso condena um pastor que transformou um cartório em caixa pessoal e usou recursos públicos para bancar igrejas, parentes e gastos particulares.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A Justiça de Mato Grosso condenou o pastor Aldevino Ribeiro Sales a devolver mais de R$ 4 milhões aos cofres públicos e pagar multa no mesmo valor, totalizando uma condenação superior a R$ 8,1 milhões por atos de improbidade administrativa praticados durante sua gestão no Cartório do 1º Ofício de Colíder.
A decisão foi proferida pela juíza Nathália de Assis Camargo Franco, da 2ª Vara de Colíder, após análise de auditorias, perícias e documentos que apontaram o uso sistemático dos recursos da serventia para fins particulares entre os anos de 2013 e 2015, período em que Aldevino exercia a função de oficial interino do cartório.
Segundo a sentença, os recursos foram utilizados para custear despesas pessoais e familiares que nada tinham a ver com a atividade cartorária. Entre os gastos identificados estão veículos de luxo, viagens de lazer, cartões de crédito, mensalidades universitárias dos filhos, honorários advocatícios, despesas médicas, alimentação e outros pagamentos particulares.
A investigação também revelou repasses financeiros para igrejas evangélicas e pastores a título de dízimo. Parte dos recursos foi destinada à Igreja Nacional Batista Fogo para o Brasil, fundada pelo próprio Aldevino Ribeiro Sales. Os autos apontam ainda pagamentos a agiotas realizados com dinheiro administrado pelo cartório.
Para a magistrada, não se tratou de erros isolados de administração, mas de uma prática contínua e consciente de utilização dos recursos públicos em benefício privado. A sentença destaca que o então gestor misturava as finanças da serventia com seus interesses pessoais e familiares, tratando o cartório como uma extensão de seu patrimônio particular.
Além da condenação financeira, Aldevino teve os direitos políticos suspensos por oito anos, foi proibido de contratar com o poder público ou receber benefícios governamentais pelo mesmo período e perdeu a possibilidade de exercer função pública.
O caso expõe uma contradição cada vez mais evidente no debate político brasileiro. Os mesmos grupos que frequentemente se apresentam como guardiões da moralidade pública e que não perdem oportunidade para atacar Lula e o PT por supostos escândalos permanecem em silêncio diante de uma condenação judicial que aponta o desvio de milhões de reais por alguém que também se apresentava como referência religiosa e moral.
Quando surgem acusações contra adversários políticos, muitos se apressam em decretar culpa antes mesmo da conclusão das investigações. Mas quando a Justiça condena alguém ligado aos seus próprios círculos de influência, a indignação costuma desaparecer com a mesma velocidade com que surgiu.
A honestidade não tem partido, religião ou ideologia. Quem utiliza recursos públicos para benefício próprio deve responder pelos seus atos perante a Justiça, independentemente de quem seja. O combate à corrupção só é verdadeiro quando vale para todos, e não apenas para os adversários políticos.
A decisão ainda cabe recurso.

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