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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Depois de quatro anos no poder sem apresentar solução real contra o crime organizado, bolsonaristas agora correm para os Estados Unidos em busca de espetáculo político enquanto a PEC da Segurança Pública segue parada no Congresso esperando parlamentares criarem coragem para votar o que realmente interessa ao povo.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A nova ofensiva política da família Bolsonaro nos Estados Unidos escancarou mais uma vez a contradição do discurso bolsonarista sobre segurança pública. Durante anos, Jair Bolsonaro ocupou a Presidência da República e Flávio Bolsonaro teve mandato no Senado Federal, mas o país não viu nenhuma grande transformação estrutural no combate ao crime organizado partir da família que hoje tenta posar como símbolo da “ordem” e da “segurança”.

PCC e Comando Vermelho nunca foram classificados oficialmente como organizações terroristas durante o governo Bolsonaro. Não houve prioridade nacional para reformas profundas na inteligência policial, no combate à lavagem de dinheiro ou no enfrentamento das grandes estruturas financeiras que sustentam o crime organizado no país.

Enquanto isso, o debate público foi tomado por denúncias envolvendo o próprio entorno da família Bolsonaro.

O caso das rachadinhas transformou Flávio Bolsonaro em alvo de investigações e manchetes nacionais. Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador, virou peça central do escândalo. Além disso, familiares de Adriano da Nóbrega — apontado como um dos chefes do Escritório do Crime no Rio de Janeiro — trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Agora, os mesmos políticos que passaram anos sem apresentar soluções concretas tentam vender ao eleitorado a imagem de “combatentes do crime organizado”, enquanto buscam apoio internacional e estimulam pressão estrangeira sobre assuntos internos brasileiros.

O contraste é inevitável: na prática, o bolsonarismo passou anos usando a pauta da segurança pública mais como combustível eleitoral do que como política de Estado.

Enquanto isso, a PEC da Segurança Pública segue travada no Congresso Nacional. A proposta busca fortalecer a integração entre União, estados e municípios, ampliar o compartilhamento de inteligência, melhorar o combate interestadual ao crime organizado e criar mecanismos nacionais mais modernos de atuação contra facções criminosas.

Especialistas em segurança pública apontam que as facções operam hoje como redes empresariais nacionais e internacionais, movimentando bilhões através do tráfico, contrabando, lavagem de dinheiro e infiltração econômica. Mesmo assim, parte do Congresso continua transformando o tema em guerra ideológica enquanto projetos estratégicos avançam lentamente.

E é justamente aí que cresce a ironia política: os mesmos grupos que se apresentam como “patriotas” e “defensores da lei” ajudam a travar debates importantes enquanto apostam em vídeos, narrativas inflamadas e patriotismo performático para redes sociais.

O “Brasil acima de tudo” parece desaparecer quando a estratégia política passa a depender de articulações externas e interferências internacionais. A soberania nacional, tão defendida nos discursos, vira detalhe quando o objetivo é proteger interesses políticos e alimentar radicalização eleitoral.

No final, sobra muito slogan, muita bandeira e pouca entrega concreta.

Porque combater o crime organizado exige inteligência, integração nacional, investigação financeira, fortalecimento institucional e coragem política — não apenas patriotismo de palanque e vídeo para internet.


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