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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE
Enquanto milhões de trabalhadores comemoravam mais descanso e qualidade de vida, deputados da extrema direita decidiram ficar do lado da exploração e do trabalhador exausto.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Enquanto milhões de brasileiros comemoravam a aprovação da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e praticamente enterra a escala 6×1, quatro deputados bolsonaristas decidiram votar contra a proposta que promete melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora.

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) o parecer da proposta por 34 votos favoráveis e apenas quatro contrários. Os únicos votos contra vieram dos deputados Maurício Marcon (PL-RS), Osmar Terra (PL-RS), Júlia Zanatta (PL-SC) e Gilson Marques (Novo-SC).

A PEC prevê uma redução gradual da jornada semanal sem redução salarial. Pela proposta, trabalhadores passarão a ter dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Mas para parte da extrema direita brasileira, aparentemente, trabalhador descansar ainda incomoda.

A repercussão negativa dos votos rapidamente tomou conta das redes sociais. Isso porque muitos dos parlamentares que votaram contra usam constantemente discursos em defesa da “família tradicional”, da “valorização do trabalhador” e dos “bons costumes”, mas na prática decidiram se posicionar contra uma medida que garante justamente mais convivência familiar, mais saúde mental e menos desgaste físico para milhões de brasileiros.

O caso ficou ainda mais constrangedor porque o PL tentou atrasar a votação anteriormente através de um pedido de vista apresentado pelo deputado Maurício Marcon. Depois da pressão popular e da repercussão negativa, integrantes do partido passaram a mudar o discurso.

Na terça-feira (26), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, chegou a afirmar que a legenda agora apoia até mesmo a escala 4×3. Uma mudança repentina que nas redes sociais foi tratada como puro medo da reação popular.

A proposta aprovada pelo relator Leo Prates estabelece uma transição de 14 meses. Duas horas da jornada serão reduzidas 60 dias após a promulgação da PEC e as outras duas serão cortadas um ano depois.

Durante a reunião, deputados ainda analisaram sete destaques apresentados ao texto. Seis acabaram retirados após negociação. O único destaque votado, apresentado pelo PL, queria o fim imediato da escala sem prazo de transição, mas acabou rejeitado.

O debate sobre o fim da escala 6×1 se transformou em uma das pautas trabalhistas mais populares dos últimos anos. Em setores como supermercados, comércio, farmácias, telemarketing e serviços gerais, milhões de brasileiros convivem diariamente com jornadas desgastantes, pouco tempo de descanso e impactos diretos na saúde física e mental.

Enquanto países desenvolvidos discutem jornadas ainda menores, parte da direita brasileira continua defendendo um modelo que mantém trabalhadores presos em uma rotina exaustiva, com pouco tempo para viver, estudar, descansar ou conviver com a própria família.

Agora, a PEC segue para novas etapas no Congresso. Mas uma coisa já ficou marcada para milhões de trabalhadores brasileiros: o país descobriu exatamente quem tentou impedir mais dignidade e qualidade de vida para quem move a economia todos os dias.


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