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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

A bolsonarista que sempre posou de “defensora da moral” agora afunda num mar de indícios que vão de leniência a adulteração de documentos — tudo para turbinar um clube de tiro que vive do aplauso da turma armamentista.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A novela das “emendas do bem” virou mais um episódio do universo paralelo bolsonarista, onde tudo gira em torno de armas, lives inflamadas e clubes de tiro transformados em santuários ideológicos. Agora, a protagonista é a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que despejou R$ 800 mil de dinheiro público num clube de tiro pertencente a um amigo — isso mesmo, amigo — na cidade de São José, na Grande Florianópolis.
O caso simplesmente explodiu no Tribunal de Contas de Santa Catarina, que encontrou indícios pesadíssimos de direcionamento, fraudes e até adulteração de documentos.

A coisa ficou tão feia que o próprio TCE recomendou o envio do caso para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal, tamanha a gravidade.
O relatório aponta irregularidades desde os estudos pré-licitação, passando pela escolha da empresa, até a suposta preferência escancarada ao clube de tiro amigo da deputada.

E o enredo piora.

Marketing bolsonarista como “prova do crime”

A inauguração da obra virou um circo. Bolsonaristas lotaram o evento, bandeiras, discursos inflamados, influência política escorrendo pelo chão.
O Tribunal de Contas citou até o vídeo público da inauguração como elemento que reforça a tese de direcionamento, já que a festa virou propaganda explícita de quem mandou o dinheiro.

A investigação também encontrou sinais de conluio entre duas empresas do mesmo ramo, ambas orbitando o mesmo grupo bolsonarista, e suspeitas de adulteração de documentos no processo de contratação de cursos para a Guarda Municipal.

A empresa contratada? Outra velha conhecida do bolsonarismo

A Top Gun-Armas e Acessórios LTDA — sim, esse é o nome — ganhou destaque no relatório.
Uma figurinha carimbada nos círculos armamentistas, já puxando aplausos do bolsonarismo raiz.
Na inauguração em 2023, além de Júlia Zanatta tratando os donos como “amigos”, estavam o governador Jorginho Mello (PL), deputados bolsonaristas e todo o time armamentista que sonha transformar Santa Catarina num Texas tropical.

Não bastasse isso, a inauguração aconteceu exatamente um dia depois de o presidente Lula assinar o decreto que restabeleceu regras de controle de armas desmontadas pelo governo Bolsonaro.
Ou seja: uma espécie de protesto festivo, armado, patrocinado por dinheiro público.

A ironia final: quem grita contra corrupção financia clube de tiro de amigo

Enquanto bolsonaristas berram nas redes que “dinheiro público não é para vagabundo”, aparece mais um caso de uso de emenda parlamentar para brindar aliados políticos — ou, como dizem entre eles, “os amigos da casa”.

A turma que vive atacando cultura, saúde, assistência social e qualquer projeto que beneficie o povo escancara, de novo, o que realmente importa para eles: armas, negócios privados e fidelidade ao clã.

O discurso moralista derreteu mais rápido que munição em polígono.
E o que sobra é o velho padrão bolsonarista:
favorecimento, suspeita de fraude, conluio e aquele perfume já conhecido de corrupção travestida de “defesa da liberdade”.


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