
Enquanto o povo aperta o cinto, Abilio Brunini descobre que a “indenização” é o verdadeiro negócio da cidade
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), conseguiu um feito histórico — mas não exatamente aquele que enche de orgulho a população. Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do UOL, ele tem hoje o maior salário entre todos os prefeitos de capitais brasileiras: impressionantes R$ 52,9 mil por mês.
Para chegar a esse valor, o contracheque do prefeito soma R$ 34,9 mil de salário-base com uma “modesta” verba indenizatória de R$ 18 mil, criada por lei municipal em 2021. Como é verba indenizatória, não paga imposto, não entra no cálculo do teto constitucional e não sofre desconto. É quase um passe livre orçamentário.
Enquanto servidores lutam por reposição salarial e muitos serviços públicos pedem socorro, a prefeitura encontrou essa fórmula criativa: chamar de “indenização” o que na prática funciona como um turbinador de salário. Tudo, claro, com o carimbo de legalidade — porque, no Brasil, quando se quer beneficiar os de cima, a lei sempre aparece prontinha para ajudar.
Com a verba adicional, Brunini ganha mais que o presidente da República e que os ministros do Supremo Tribunal Federal. E ultrapassa com folga o salário do próprio governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, que recebe cerca de R$ 32,3 mil mensais. Em outras palavras: quem administra a capital ganha como se estivesse governando um país — só que com menos responsabilidade institucional e mais vantagens políticas.
A justificativa oficial é de que a verba serve para cobrir despesas de segurança, telefone, alimentação e “atividades externas”. Curioso: milhões de brasileiros também trabalham, saem de casa, se alimentam, usam telefone… mas não recebem um bônus mensal de R$ 18 mil para isso. Parece que, para alguns, a vida pública deixou de ser missão para virar plano de benefícios premium.
Cuiabá enfrenta problemas urbanos conhecidos: mobilidade precária, pressão sobre a saúde pública, dificuldades na educação, buracos nas ruas e reclamações constantes sobre serviços básicos. Mesmo assim, o prefeito conseguiu priorizar aquilo que realmente parecia urgente — o próprio bolso.
É o velho roteiro: o discurso é de austeridade, meritocracia e eficiência. Na prática, a criatividade só aparece quando o assunto é melhorar a vida… do governante. Enquanto isso, a população paga a conta — com impostos, paciência e promessas que nunca chegam.
Ironia do destino: a cidade que sofre com falta de investimento público tem um prefeito que virou referência nacional — mas não por boa gestão. Virou exemplo de como a política pode ser generosa com quem já está no topo, enquanto pede sacrifício do povo.
Cuiabá merece transparência, equilíbrio e prioridades verdadeiras. E merece um debate sério sobre esse tipo de privilégio institucionalizado, que pode até ser “legal”, mas está longe de ser moralmente aceitável.
Fonte: Folha de S.Paulo – “Prefeito de Cuiabá tem maior salário entre capitais do país”, 2025. Link: https://www1.folha.uol.com.br
Fonte: UOL – “Prefeito de Cuiabá recebe R$ 52,9 mil e supera salário do presidente”, 2025. Link: https://noticias.uol.com.br

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