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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Aos 77 anos, agricultor, assentado e dirigente do MST, Jerónimo representa a luta pela terra, pelo trabalho digno e pela agricultura familiar em Mato Grosso

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Rondonópolis (MT) passa a ter um nome colocado no cenário político para a disputa federal de 2026 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Trata-se do pastor e agricultor Jerónimo Gomes de Souza, conhecido politicamente como Jerónimo Gomes, pré-candidato a deputado federal pelo PSOL em Rondonópolis, homem do campo, assentado, militante histórico da luta pela terra e dirigente ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

As informações sobre a trajetória, a pré-candidatura e as bandeiras políticas de Jerónimo Gomes foram repassadas pela presidenta do PSOL em Rondonópolis, Janaína Lima, que destaca o nome do pré-candidato como uma representação legítima das lutas populares, do campo e da agricultura familiar no município e na região sul de Mato Grosso.

Aos 77 anos, Jerónimo carrega uma trajetória construída longe dos gabinetes e perto da realidade do povo. Nascido em Alto Araguaia e morador de Rondonópolis, ele é agricultor, não possui formação acadêmica formal, mas reúne um patrimônio que poucos currículos registram: décadas de experiência na agricultura familiar, na organização comunitária e na resistência social em defesa da terra, do trabalho e da liberdade.

Sua biografia é marcada pela dedicação ao coletivo. Jerónimo sempre esteve inserido nas lutas do campo, atuando diretamente junto a famílias assentadas e trabalhadores rurais que enfrentam abandono do Estado, insegurança jurídica e violência. Já foi candidato pelo PT e participou ativamente das trincheiras políticas e sociais que exigiram reforma agrária, respeito aos assentados e dignidade para quem produz o alimento que chega à mesa do povo brasileiro.

Assentado e conhecedor profundo da realidade dos acampamentos, Jerónimo aponta como uma das maiores urgências de Mato Grosso a falta de interesse do Incra em regularizar e entregar os títulos definitivos de terra aos assentados, mantendo milhares de famílias em situação de vulnerabilidade e incerteza. Para ele, essa omissão institucional aprofunda desigualdades históricas e beneficia apenas o grande capital.

É justamente contra essa lógica que nasce sua pré-candidatura. Jerónimo afirma que decidiu entrar na disputa para colocar em evidência a luta diária de pais e avós do campo, que sustentam suas famílias com trabalho árduo, mas colhem pouco retorno enquanto grandes grupos econômicos concentram terras, lucros e influência política. “Plantamos tanto e colhemos tão pouco para nós, enquanto os grandes capitalistas se beneficiam cada dia mais”, resume.

Entre suas principais bandeiras estão a agricultura familiar, a defesa dos assentamentos, a não violência no campo e a construção de políticas públicas que cheguem de verdade ao homem e à mulher do campo. Jerónimo defende que todos têm direito à terra e à subsistência honesta, sem criminalização dos movimentos sociais e sem repressão às famílias que lutam para sobreviver do próprio trabalho.

No PSOL, partido ao qual se filiou após diálogo com a direção municipal de Rondonópolis, Jerónimo diz ter encontrado coerência entre sua história de vida e as ideologias da legenda. Sua principal referência política é o deputado federal Glauber Braga, conhecido pela postura firme contra privilégios, corrupção e injustiças sociais.

Ao analisar o cenário político atual, Jerónimo avalia que Mato Grosso vive um período de intensa disputa e rearranjos eleitorais, ao mesmo tempo em que cresce o debate sobre sustentabilidade e desenvolvimento. Ele também reconhece os impactos positivos do governo Lula no estado e no país, com investimentos superiores a R$ 22,4 bilhões em Mato Grosso nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e programas voltados a assentamentos rurais, além do fortalecimento de políticas sociais e da redução do desmatamento. Ainda assim, destaca que é preciso avançar muito mais para que os recursos cheguem à base da sociedade.

Com olhar atento ao futuro, Jerónimo alerta para os desafios que se aproximam. Ele defende que o avanço da tecnologia e da automação exige coragem política para criar leis que garantam subsistência, renda e dignidade às próximas gerações. Para ele, a política precisa voltar a servir às pessoas, e não aos interesses de poucos.

“O mundo não vive de pão e circo. O mundo vive de trabalho árduo e lutas diárias”, afirma. Sua principal bandeira sintetiza sua trajetória e seu compromisso político: terra, trabalho e liberdade.


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