
MPF pede o banimento de agrotóxico associado ao câncer enquanto Mato Grosso vira depósito internacional de lixo químico e pequenos produtores contam perdas irreparáveis.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A confirmação de que um agrotóxico associado ao câncer contaminou a Bacia do Rio Paraguai, no coração do Pantanal, expõe a face mais cruel do modelo agrícola dominante no Brasil. O Ministério Público Federal pediu o banimento imediato da substância após estudos comprovarem sua presença em níveis alarmantes em um dos ecossistemas mais importantes do planeta. A contaminação não é um episódio isolado: é consequência direta de anos de negligência, desmonte ambiental e submissão do país ao lobby químico internacional.
Enquanto o veneno escorre para os rios, pequenos produtores do Centro-Oeste assistem ao fim silencioso de suas atividades. Em Alta Floresta, Mato Grosso, um produtor de mel perdeu 80 colmeias de abelhas somente neste ano. A morte em massa dos insetos — essenciais para a polinização — é um sinal claro do desequilíbrio ambiental. Com tristeza e revolta, o produtor provoca: “Pergunta pros donos desses agrotóxicos do que eles se alimentam, qual é a água que eles tomam, onde moram e qual ar que respiram”.
A pergunta ecoa porque revela o abismo entre quem lucra com os pesticidas e quem sofre as consequências. Os barões do veneno não bebem a água contaminada do Pantanal, não respiram o ar impregnado de químicos nas plantações, não sentem na pele o aumento vertiginoso de casos de câncer e doenças respiratórias que atinge o povo mato-grossense.
Mato Grosso já é considerado o maior receptor de agrotóxicos do mundo, incluindo substâncias proibidas em países como França, Alemanha, EUA, Israel e China. O estado se tornou, na prática, o lixão químico internacional. Produtos rejeitados lá fora são aplicados aqui dentro com aval político, lobby ruralista e ausência de fiscalização.
O Hospital de Câncer de Mato Grosso cresce no mesmo ritmo que os aviões agrícolas despejam veneno sobre plantações e comunidades. A lógica é macabra: o que não pode ser usado em solo europeu vira “tecnologia agrícola” nas terras brasileiras. E sem campanhas educativas, incentivos à agroecologia ou políticas de transição, o ciclo de adoecimento continua sendo tratado como “efeito colateral” aceitável.
O Pantanal — patrimônio ambiental da humanidade — está sendo contaminado para preservar lucros de multinacionais químicas. As abelhas morrem, os pequenos produtores quebram, a população adoece e nenhum plano robusto é apresentado. O pedido do MPF é urgente, necessário e civilizatório. Mas não basta banir uma substância: é preciso enfrentar o lobby do veneno, proteger quem produz alimento de verdade e impedir que Mato Grosso continue sendo usado como depósito tóxico global.
Fonte: Brasil de Fato – “Agrotóxico associado a câncer contaminou Bacia do Rio Paraguai, no Pantanal; MPF pede banimento da substância”, 03/12/2025. Link: https://www.brasildefato.com.br/2025/12/03/agrotoxico-associado-a-cancer-contaminou-bacia-do-rio-paraguai-no-pantanal-mpf-pede-banimento-da-substancia/

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