
Quando o STF cumpre seu papel constitucional, quem treme é o Parlamento capturado por interesses escusos — e não a democracia
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O Brasil assiste a uma inversão curiosa: enquanto o Supremo Tribunal Federal tenta preservar minimamente a ordem constitucional, o Congresso Nacional age como se fosse vítima de um suposto “autoritarismo judicial”. Deputados e senadores — muitos atolados em investigações, trocas de favores, leilão de emendas e alianças com grupos nada republicanos — berram contra o STF como se fossem guardiões da democracia. É a velha tática de quem grita “abuso de poder” para esconder o próprio abuso permanente contra o país.
O argumento central de quem tenta demonizar o Supremo é simples e falso: dizem que o STF “legisla”, “invade competências”, “exagera”. O que não aparece nessas narrativas é que grande parte do protagonismo judicial só existe porque o Congresso se recusa a exercer suas funções básicas, sabotando debates essenciais, travando pautas sociais e blindando aliados envolvidos em escândalos.
Moisés Mendes, em seu texto publicado pelo Diário do Centro do Mundo, sintetiza esse cenário com precisão: um Congresso tomado por facções, fisiologismo e interesses privados teme o STF porque teme qualquer instituição que imponha limites ao vale-tudo em Brasília. E faz sentido. A corte incomoda justamente porque, quando decide sobre direitos fundamentais, combate discursos de ódio, garante eleições limpas ou impede retrocessos absurdos, mexe com estruturas que dependem da desordem e da impunidade para sobreviver.
O STF virou “perigo” apenas para quem vive da política como negócio — não para o cidadão comum. É ameaça para quem trafica influência, negocia emendas como moeda de troca e cria legislações sob medida para grupos econômicos e bancadas agressivas. É risco para quem depende da desinformação, dos ataques à democracia e da tentativa recorrente de subjugar as instituições para manter privilégios.
Enquanto isso, a população segue refém de um Parlamento que deveria defender seus direitos, mas está ocupado com manobras regimentais, orçamento secreto, chantagens políticas, ataques a ministros da Corte e tentativas constantes de enfraquecer o Judiciário para salvar a própria pele. O histórico recente de fragilização do Estado Democrático de Direito em países que sucumbiram ao autoritarismo deveria servir de alerta: quando o Legislativo se entrega às facções, o passo seguinte costuma ser transformar o Judiciário em um puxadinho do poder político.
É nesse cenário que o Supremo mantém uma postura firme — e necessária. O STF não é perfeito, e nem pretende substituir o Parlamento. Mas, diante de um Congresso lotado de vigaristas, grupos extremistas e negociadores de ocasião, sua atuação firme deixa claro algo que incomoda profundamente os chefes desses acordões: a democracia ainda tem defesas. E elas não serão entregues sem resistência.
“Perigo”, aqui, é o Congresso que teme a lei. Não o tribunal que a aplica.
Fonte: Diário do Centro do Mundo – “O Supremo é um perigo para um Congresso de facções e vigaristas”, data da publicação. Link: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-supremo-e-um-perigo-para-um-congresso-de-faccoes-e-vigaristas-por-moises-mendes/

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