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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Condenados por participação na tentativa de golpe, os dois perdem cargos, salários e qualquer vínculo com a corporação; a PF vira a página e deixa para trás a era da perseguição política travestida de segurança pública.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A República ainda colhe os destroços do 8 de Janeiro, mas uma página decisiva acaba de ser virada: Alexandre Ramagem e Anderson Torres, dois dos principais operadores do bolsonarismo dentro da estrutura do Estado, foram oficialmente demitidos da Polícia Federal por determinação do Ministério da Justiça. A medida cumpre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que condenou ambos por participação na tentativa de golpe de Estado.

A queda não é simbólica — é completa. Eles perdem os cargos de delegados, os salários, os benefícios, as prerrogativas e qualquer vínculo com a Polícia Federal. A corporação que, durante o governo Bolsonaro, foi usada como instrumento de intimidação política, agora expulsa da própria casa dois dos seus expoentes mais comprometidos com ataques à democracia.

O ministro Ricardo Lewandowski, responsável por assinar as portarias, apenas formalizou o inevitável: servidores condenados por crimes gravíssimos contra o país não podem permanecer em uma instituição cujo dever constitucional é proteger o Estado Democrático de Direito. A decisão encerra, de forma definitiva, uma era de abusos, espionagem indevida, dossiês clandestinos e tentativas de aparelhamento.

Ramagem, condenado a 16 anos de prisão, deixou o Brasil e busca se manter nos Estados Unidos enquanto tenta escapar da Justiça. Anderson Torres, condenado a 24 anos, cumpre pena em regime fechado no Complexo da Papuda. Ambos ainda são alvos de processos administrativos internos na PF, que continuam avançando mesmo após a demissão — um contraste gritante com o passado, quando suas posições de poder barravam investigações e criavam intocáveis de ocasião.

A repercussão política é imediata. Com a expulsão dos dois, desmonta-se o mito bolsonarista de que seus operadores agiam “em nome da lei”. O país vê agora, com clareza, que por trás do discurso de combate ao crime e à corrupção havia uma máquina de sabotagem institucional, chantagem política e manipulação da estrutura do Estado para fins autoritários.

A mensagem institucional é clara: golpe não compensa. Nem para deputados, nem para ministros, nem para delegados. A democracia brasileira — ferida, mas viva — mostra que tem anticorpos para resistir à tentativa de sabotagem de seus próprios agentes públicos.

As portarias publicadas no Diário Oficial consolidam o que a sociedade já entendeu: Ramagem e Torres não foram meros coadjuvantes — foram protagonistas de um dos maiores atentados à ordem democrática desde a redemocratização. Agora, finalmente, arcam com o peso das consequências.

O Brasil respira. E a Polícia Federal, livre da tutela política, recupera parte de sua credibilidade, reconstruindo sua missão longe do esgoto do radicalismo golpista.

Fonte: Diário do Centro do Mundo – “Ramagem e Anderson Torres são demitidos da PF e perdem cargos de delegados”, data da publicação. Link: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ramagem-e-anderson-torres-sao-demitidos-da-pf-e-perdem-cargos-de-delegados/


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