
A prisão do presidente da Alerj na Operação Unha e Carne expõe, de forma direta e incontornável, o enraizamento do crime organizado dentro das estruturas políticas do Rio, revelando como vazamentos de operações sigilosas alimentam a promiscuidade entre poder público e facções.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União-RJ), foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (3), em um dos episódios mais graves já registrados no Legislativo fluminense. A investigação aponta que Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, ação que desvendou conexões de agentes públicos com o Comando Vermelho e que levou à prisão do ex-deputado TH Joias em setembro.
A ofensiva desta quarta-feira marca uma nova etapa do cerco da PF às engrenagens políticas contaminadas pelo crime organizado. Os mandados — todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal — incluem prisão preventiva, buscas e apreensões e medidas cautelares. A suspeita central é de que Bacellar tenha usado a estrutura de poder da Alerj para interferir diretamente no andamento das investigações, comprometendo o trabalho policial e favorecendo pessoas próximas aos esquemas investigados.
A Operação Zargun já havia exposto o alcance da infiltração criminosa em setores do Estado, mostrando como o CV articulava influência política, acesso a informações internas e proteção institucional para manter seus interesses. Com a prisão de Bacellar, o rombo institucional se aprofunda: não é apenas um parlamentar, mas o próprio presidente da Alerj envolvido em suspeitas de sabotagem de uma operação federal.
Este episódio reacende um histórico incômodo. O Rio já assistiu à queda de presidentes da Alerj como Jorge Picciani, preso na Operação Cadeia Velha, e agora vive um novo terremoto político. A repetição de escândalos mostra que a crise não é ocasional: é estrutural. O Legislativo fluminense, ao invés de ser uma barreira contra o crime, tem se mostrado vulnerável — e, em alguns casos, cúmplice.
A repercussão é imediata. Parlamentares tentam se afastar do escândalo, a população reage com descrença e o governo estadual é pressionado a explicar como figuras de tamanha relevância transitam entre gabinetes e organizações criminosas. O impacto político, jurídico e social desta prisão deve dominar o debate nos próximos dias, reacendendo a discussão sobre a fragilidade institucional do estado e sua permanente disputa entre legalidade e ilegalidade.
Em um Rio de Janeiro marcado por milícias, facções, insegurança e sucessivas crises políticas, a queda de Bacellar serve como alerta: quando o crime consegue penetrar os espaços mais altos do poder, toda a sociedade perde — seja em segurança, em recursos públicos ou em confiança nas instituições que deveriam protegê-la.

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