
Enquanto aposentados, servidores e municípios enfrentam prejuízos bilionários, o chefão do Master — dono de mansão milionária nos EUA — caminha livre como se nada tivesse acontecido.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A soltura de Daniel Vorcaro, presidente e controlador do Banco Master, não é apenas mais um capítulo vergonhoso da impunidade brasileira — é o retrato fiel de como o país trata seus criminosos de luxo. Vorcaro, investigado por um rombo que pode superar R$ 12 bilhões, deixou a prisão por decisão do TRF-1, que alegou “falta de risco” para novas fraudes agora que o Banco Central decretou a liquidação do Master. O que ficou de fora da decisão, e grita aos olhos de qualquer brasileiro, é que o rombo gigantesco continua pesando sobre aposentados, servidores públicos e municípios inteiros.
O caso é ainda mais grave porque, nos últimos anos, o Banco Master virou destino de fundos previdenciários estaduais e municipais de todo o país. Nada menos que 18 fundos de previdência aplicaram cerca de R$ 1,876 bilhão em letras financeiras do Master — um produto sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ou seja, sem proteção em caso de falência. O maior prejuízo estimado se concentra no Rioprevidência (RJ), com cerca de R$ 970 milhões, seguido do fundo do Amapá (Previ-AP), com cerca de R$ 400 milhões, além de fundos de Maceió, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e dezenas de municípios menores que agora podem ver o dinheiro dos servidores simplesmente evaporar.
E enquanto o banco atraía recursos públicos e privados com promessas de solidez, Daniel Vorcaro exibia um padrão de vida que destoava completamente do desempenho real da instituição. O banqueiro acumulou uma lista impressionante de extravagâncias. Em 2023, comprou uma mansão nos Estados Unidos avaliada em US$ 32 milhões — cerca de R$ 160 milhões à época — tornando-se proprietário de uma das casas mais caras da região de Orlando. Para ir e voltar dos EUA, contava com jatos particulares avaliados em mais de R$ 200 milhões, além de investimentos em hotéis, propriedades de luxo e festas milionárias, incluindo comemorações em estilo hollywoodiano que viraram notícia internacional.
Tudo isso enquanto fundos públicos — dinheiro de trabalhadores, professores, enfermeiros, policiais, aposentados — eram colocados em títulos de risco crescente. Agora, com o banco liquidado, há municípios e estados literalmente desesperados. Em muitos lugares, o dinheiro aplicado correspondia ao que pagaria aposentadorias e pensões por meses ou até anos. O prejuízo é tão grande que especialistas já falam em impacto fiscal, rombos nos regimes próprios de previdência e até risco de falência de pequenos municípios.
Ainda assim, o arquiteto desse desastre financeiro saiu pela porta da frente da Justiça. Para a corte, seu retorno à liberdade não representaria ameaça, já que o banco não funciona mais. Como se o crime tivesse validade. Como se R$ 12 bilhões fossem poeira. Como se a vida de milhares de servidores que podem perder suas aposentadorias fosse um dado secundário.
O caso expõe uma ferida antiga: a Justiça brasileira é cruel com pobres e generosa com ricos. Quem rouba pouco vai para a cadeia; quem rouba bilhões ganha habeas corpus. O colapso do Banco Master não é só um escândalo financeiro — é uma agressão direta contra o povo brasileiro, especialmente contra os servidores que confiaram suas economias a um sistema que deveria protegê-los.
Enquanto Daniel Vorcaro desfruta de sua mansão nos Estados Unidos e de seu patrimônio luxuoso, o Brasil se pergunta: quem vai pagar a conta? A resposta, como sempre, parece óbvia. E injusta.

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