
Nem na porta da Casa Branca os EUA conseguem proteger seus próprios soldados – mas o lobby das armas continua intocado
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Nesta quarta-feira, 26 de novembro de 2025, Washington voltou a ser palco daquilo que os Estados Unidos fingem não entender: a violência armada fora de controle. Várias pessoas foram baleadas nas proximidades da Casa Branca, incluindo integrantes da Guarda Nacional destacados para reforçar a segurança na região central da capital americana, segundo o Diário do Centro do Mundo (DCM).
O tiroteio ocorreu a poucos quarteirões da residência oficial do presidente, na área de Farragut Square, entre as ruas 17th, H e I Street NW, em uma zona de intenso fluxo de trabalhadores, turistas e forças de segurança. Relatos apontam que ao menos dois soldados da Guarda Nacional foram atingidos, e ao menos três pessoas foram levadas a hospitais da cidade, uma delas em estado crítico, de acordo com informações do Washington Post e de emissoras locais.
Em plena luz do dia, a cena se repetiu como em tantas outras tragédias americanas: sirenes, área isolada, fita amarela, helicópteros sobrevoando a região e prédios em lockdown, incluindo órgãos públicos e escritórios de imprensa próximos à Casa Branca. A polícia metropolitana de Washington (MPD) informou que o local foi rapidamente cercado, que a cena foi classificada como “incidente crítico” e que um suspeito foi detido ainda nas imediações, o que teria evitado um número ainda maior de vítimas.
As primeiras informações divulgadas por veículos como ABC News e CBS News indicam que os militares atacados atuavam em patrulha na região, parte do reforço de presença da Guarda Nacional na capital, determinado recentemente pelo governo Trump em meio a um clima de tensão política e protestos.
Enquanto as autoridades ainda tentam entender a motivação do crime, uma constatação salta aos olhos: se nem soldados armados, fardados e posicionados a poucas quadras da Casa Branca estão protegidos, o que sobra para o cidadão comum que pega metrô, atravessa a praça ou apenas passa pelo local na hora errada?
Os Estados Unidos seguem insistindo na narrativa de “farol da democracia” e “modelo de segurança”, mas convivem com um cenário em que tiroteios em escolas, igrejas, supermercados, shows, universidades e agora até em corredores de poder viram quase rotina. Os atentados recentes em outras partes do país, somados a este ataque à Guarda Nacional em Washington, alimentam a percepção de que o maior inimigo interno não é um exército estrangeiro, mas a combinação explosiva entre armas fáceis, discurso de ódio e radicalização política.
A reação do governo também é sintomática. A Casa Branca informou que o presidente Donald Trump foi imediatamente notificado do ataque, e que o episódio está sendo acompanhado “de perto” pelas autoridades federais, incluindo o Departamento de Segurança Interna (DHS). Porta-vozes repetem o roteiro habitual: solidariedade às vítimas, agradecimentos aos socorristas, promessa de “investigação rigorosa”. O que não aparece no script é qualquer sinal concreto de enfrentamento do problema estrutural: o acesso quase irrestrito a armas de fogo e a resistência feroz do lobby armamentista a qualquer tentativa de regulação mais séria.
Enquanto isso, relatos de jornalistas e testemunhas apontam para o pânico na região central de Washington. Quem estava próximo à estação de metrô Farragut West narra cenas de correria, lojas fechando às pressas e trabalhadores se trancando em escritórios, seguindo orientações de “abrigar-se no local” divulgadas por autoridades municipais e federais. Nas redes sociais, vídeos mostram viaturas da polícia, ambulâncias e equipes de emergência ocupando cruzamentos inteiros, em um cenário que lembra zona de guerra – justamente no país que se vende como guardião da paz e da liberdade.
Não por acaso, especialistas em segurança interna e violência armada já apontam que o caso deve reacender o debate sobre a militarização do espaço público nos Estados Unidos. A presença da Guarda Nacional em praças, estações e em torno da Casa Branca é apresentada como resposta à instabilidade política e a ameaças diversas. Mas o tiroteio desta quarta-feira expõe uma contradição desconfortável: o Estado ergue um cinturão de soldados e armas em torno das instituições, mas é incapaz de garantir que esses mesmos soldados não sejam alvos fáceis no meio da rua.
Para além da comoção imediata, o episódio ocorre em um momento em que cresce, dentro e fora dos Estados Unidos, a crítica ao “estado permanente de exceção” em nome da segurança. Ao mesmo tempo em que se intensifica o aparato repressivo contra manifestantes, migrantes e minorias, o país segue paralisado quando o assunto é enfrentamento à indústria de armas, responsável por financiar campanhas, pressionar congressistas e travar qualquer reforma significativa. As mortes e feridos de hoje somam-se a uma estatística que os EUA preferem enterrar, mas que o mundo inteiro observa com espanto.
O que se sabe até agora é que o atirador foi detido, a área foi declarada “segura” e as autoridades pedem calma à população. O que não se sabe – e talvez não se veja tão cedo – é qualquer tipo de mudança estrutural em um sistema que normaliza tiroteios recorrentes, trata tragédias como “incidentes isolados” e segue empurrando o debate real sobre armas para debaixo do tapete. Se, desta vez, até a Guarda Nacional sangra a poucos minutos da Casa Branca, o recado é claro: o modelo está falido, e a retórica de força não é capaz de parar as balas que o próprio sistema produz.
Fonte: Diário do Centro do Mundo (DCM) — https://www.diariodocentrodomundo.com.br/varias-pessoas-sao-baleadas-perto-da-casa-branca-incluindo-membros-da-guarda-nacional/

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