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Ministério Público aceita denúncia que aponta que Gargantini estaria “incapacitado” no INDEA, mas atuando normalmente na Câmara e recebendo diárias

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O Ministério Público de Mato Grosso abriu investigação formal para apurar a conduta do vereador bolsonarista Rodrigo Gargantini, de Sinop, após aceitar denúncia que aponta possível fraude no uso de atestado médico. O procedimento, registrado como Notícia de Fato na área de Patrimônio Público, indica que Gargantini teria apresentado ao INDEA um atestado de 60 dias alegando incapacidade laboral, ao mesmo tempo em que seguia desempenhando normalmente suas funções na Câmara Municipal.

O documento do MP confirma que a denúncia não apenas foi recebida, como já gerou movimentações internas: tramitação entre setores, diligências iniciais e encaminhamento à Ouvidoria. O caso está em andamento e sob sigilo, característica de investigações que envolvem possível violação dos princípios da administração pública.

A denúncia parte de um ponto central: se Gargantini estava realmente impossibilitado para trabalhar como servidor público, como pôde comparecer a sessões, discursar, votar, apresentar matérias e até receber diárias durante o mesmo período em que estaria oficialmente afastado? Essa contradição pode configurar prejuízo ao erário e quebra dos deveres funcionais.

O tema já havia sido levantado anteriormente por moradores e divulgadores locais, gerando forte repercussão. Agora, com o MP oficialmente investigando o caso, a situação ganha contornos mais graves e institucionais. Em outras palavras: não se trata mais apenas de questionamento público — é objeto de apuração ministerial.

Mesmo em meio às suspeitas, Gargantini tenta manter a imagem de “vereador atuante”. Em sessões recentes, apresentou proposições, indicações e falas públicas, reforçando sua atividade política. O problema é que há registros, vídeos, atas e documentos que mostram que essa atuação coincide justamente com o período do atestado apresentado ao INDEA.

A investigação do Ministério Público agora deverá cruzar dados, horários, documentos médicos e registros de presença para determinar se houve irregularidade. Caso se confirme que o vereador estava apto a trabalhar enquanto recebia afastamento remunerado, o caso pode resultar em responsabilização administrativa, devolução de valores e até ação por improbidade.

O episódio reacende um debate conhecido em Mato Grosso: a moralidade seletiva. Enquanto discurso e prática se contradizem, o Ministério Público se torna o palco onde a verdade terá de aparecer — longe dos discursos inflamados e perto da realidade documental.

Agora, a pergunta que domina Sinop é simples e direta: haverá responsabilização ou este será mais um caso que dorme sob sigilo e nunca chega ao fim?


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