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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Quando o trabalhador respira, o desespero muda de lado: a partir de agora, quem vive de salário vai pagar menos imposto, e quem sempre viveu de privilégio vai ter que abrir a carteira.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O que parecia promessa de campanha virou realidade em 26 de novembro de 2025: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil por mês e reduz o peso do tributo para salários de até R$ 7.350. A medida entra em vigor a partir de janeiro de 2026 e deve beneficiar mais de 15 milhões de brasileiros e brasileiras que vivem do próprio trabalho.

Na prática, isso significa um choque de justiça tributária num país que sempre tratou o trabalhador como “caixa eletrônico” do Estado, enquanto blindava grandes fortunas, lucros e dividendos. Hoje, a isenção alcança apenas quem ganha até R$ 3.036 (equivalente a dois salários mínimos); com a nova lei, a faixa de isenção salta para R$ 5 mil, e quem recebe até R$ 7.350 terá descontos que reduzem a mordida do Leão mês a mês.

O texto aprovado pelo Congresso — o PL 1.087/2025, enviado pelo próprio governo Lula — redesenha a tabela do IR com um objetivo claro: diminuir a desigualdade, colocar dinheiro de volta no bolso de quem consome no bairro, paga o aluguel, faz feira e movimenta o comércio local. A renúncia fiscal estimada é da ordem de R$ 25 bilhões, algo em torno de 10% do que se arrecada hoje com IRPF. Ou seja: não é “bondade”, é escolha política sobre quem o Estado decide aliviar e quem o Estado decide, finalmente, cobrar.

E não é só isso: para compensar a perda de arrecadação, a lei cria uma contribuição mínima para os super-ricos, aqueles que ganham mais de R$ 600 mil por ano — cerca de R$ 50 mil por mês — com alíquota extra progressiva, que pode chegar a 10% para quem passa de R$ 1,2 milhão anual, incluindo lucros e dividendos que até ontem viviam praticamente intocados. Em linguagem simples: quem sempre pagou muito pouco sobre rendas altíssimas vai começar a sentir o cheiro da realidade tributária.

Enquanto isso, o trabalhador que ganha até R$ 5 mil mensais deixa de ver o desconto do IR corroendo o contracheque. A mudança passa a valer na folha a partir de janeiro de 2026, impactando diretamente a declaração de 2027, ano-base 2026. A classe média baixa, que vinha sendo espremida pela tabela defasada desde a década passada, finalmente começa a ser tratada como gente — e não como linha de receita automática para o Tesouro.

É uma virada simbólica e concreta: o Senado aprovou a proposta por unanimidade, e até quem vive posando de “fiscal do gasto público” precisou engolir em seco a ideia de tributar altas rendas para aliviar o bolso de quem pega ônibus lotado, enfrenta fila em posto de saúde e faz milagre com o cartão de crédito estourado. A narrativa da extrema-direita de que “Lula só aumenta imposto” desmorona diante dos fatos: o imposto diminui para a base da pirâmide e sobe para o topo, onde sempre deveria ter


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