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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

O Brasil assistiu atônito — e rindo para não chorar — à mais nova tentativa de autoabsolvição do general Augusto Heleno, um dos pilares da cúpula golpista. Após ter a prisão decretada no desfecho das ações penais relacionadas ao ataque ao Estado Democrático de Direito, o ex-ministro de Bolsonaro resolveu, de forma convenientemente tardia, alegar que sofre de Alzheimer desde 2018. Um diagnóstico que, curiosamente, ninguém conhecia até o momento em que a porta da cela se abriu para recebê-lo.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O roteiro é tão absurdo que virou piada nacional. Segundo informações reveladas no exame médico obrigatório ao ser recolhido, Heleno declarou ao Exército ter a doença há sete anos, com perda acentuada de memória recente — mas não o suficiente para impedi-lo de comandar o Gabinete de Segurança Institucional entre 2019 e 2022, participar de articulações golpistas, incentivar quartéis a resistirem, atacar a imprensa, defender “intervenção militar” e até declarar que “o povo armado jamais será escravizado”.

A memória falhou justamente quando chegou a hora de enfrentar as consequências. Antes disso, o general lembrava muito bem de cada pronunciamento inflamado, de cada ameaça velada à democracia, de cada reunião com figuras-chave da intentona de 8 de janeiro, e até das mãos dadas com Bolsonaro na construção narrativa do “perigo comunista” — mas esqueceu rapidamente quando o camburão apareceu.

A internet, que não perdoa, transformou o episódio em comédia involuntária. “Sete anos com Alzheimer, mas assinava documento, dava coletiva, planejava golpe e nunca confundiu o caminho do GSI com o do asilo”, ironizou um usuário. Outro disparou: “Só lembrou do Alzheimer quando foi preso. Antes, só lembrava de atacar o STF”.

A manobra expõe o padrão exausto do bolsonarismo: quando a Justiça chega, surgem milagrosamente doenças, crises repentinas, esquecimentos seletivos e certificados médicos mais rápidos que mandado de busca. O mesmo roteiro que vimos com outros integrantes do núcleo bolsonarista: ora é problema cardíaco, ora é depressão súbita, ora é “estado de saúde debilitado”. Agora, Heleno inaugura o “golpista com amnésia”.

Mas a democracia, dessa vez, não esqueceu de nada. O histórico, as provas, os depoimentos e as articulações estão documentados — e não há laudo de conveniência que apague o papel do general na tentativa de ruptura institucional.

Enquanto isso, o país segue assistindo, entre perplexidade e deboche, ao desfile de desculpas esfarrapadas de quem, por anos, se colocou acima da lei. De repente, os autoproclamados patriotas, fortes, valentes e “defensores da liberdade” se tornaram um festival de fragilidades, atestados médicos e memórias falhas sempre no minuto exato em que a Justiça bate à porta.

Fonte: Diário do Centro do Mundo – https://www.diariodocentrodomundo.com.br/heleno-vira-piada-nacional-apos-dizer-ter-alzheimer-so-lembrou-quando-foi-preso/


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