
Quando até a tornozeleira pede exoneração, mas a grande mídia insiste em chamá-lo de “presidenciável”
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A pergunta que tomou conta das redes — e das redações que fingem não ver o óbvio — é simples e devastadora: o Datafolha ainda vai incluir o “homem do ferro quente” nas pesquisas eleitorais? O país inteiro assistiu ao ex-presidente tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, numa cena que parecia saída de um roteiro ruim de comédia policial. E mesmo assim, uma parcela da imprensa segue tratando Bolsonaro como se fosse apenas um político em “má fase”, não como o réu preso que efetivamente é.
Não estamos falando de boato, de invenção ou exagero. São fatos: Bolsonaro tentou derreter o equipamento de monitoramento, acreditando — segundo relatos de aliados — que o dispositivo tinha um “grampo” capaz de ouvir suas conversas. A paranoia alimentou a gambiarra criminosa. A gambiarra levou à prisão. E a prisão escancarou o que o Brasil já sabia: o mito virou meme, o líder virou personagem, o ex-presidente virou caso de estudo psi-político.
Mesmo assim, o Datafolha o mantém como “opção presidencial” ao lado de lideranças reais. É como se o país estivesse num campeonato democrático onde um dos candidatos entra em campo usando tornozeleira queimada e alegando perseguição das forças universais da física.
A ironia maior é a forma como certos jornais tratam tudo isso. A Folha de S.Paulo segue firme na missão de proteger “as fragilidades de Bolsonaro”, como fez no editorial da véspera da tentativa de fuga, quando defendeu supostos “direitos de ex-presidente” que não se aplicam a quem tenta sabotar a própria fiscalização judicial. É o velho truque: reduzir crimes a mal-entendidos e transformar golpismo em drama pessoal.
Para completar o roteiro do absurdo, o jornal O Globo publicou que a prisão “aumenta dúvidas sobre o papel de Bolsonaro como cabo eleitoral”. Cabo eleitoral? De qual pavilhão? Desde quando quem não consegue quebrar uma tornozeleira tem musculatura política para orientar qualquer movimento? Se mal conseguiu derrotar o próprio aparelho eletrônico que carregava, como lideraria uma direita que hoje vive à base de consórcio, improviso e desorientação?
A insistência da imprensa tradicional em fingir que Bolsonaro ainda é “peça relevante” no tabuleiro não é ingenuidade: é apego. É a dificuldade histórica de aceitar que a criatura que ajudaram a inflar virou o maior vexame político do século. E que o Brasil, felizmente, está seguindo em outra direção.
A democracia, que já levou golpes duros, não pode permitir que o debate público trate criminoso como candidato, fugitivo frustrado como liderança e sabotador da própria tornozeleira como opção presidencial. A normalização do absurdo é a porta de entrada para sua repetição.
Se o Datafolha quiser manter o “homem do ferro quente” nas pesquisas, que ao menos acrescente nova categoria de análise: intenção de voto entre os que acreditam que tornozeleira tem microfone embutido. Vai ser amostragem pequena, mas coerente.

Deixe um comentário