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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Lula rompe a lógica extrativista, alerta para o “colonialismo algorítmico” e defende que riqueza mineral, tecnologia e trabalho sirvam ao povo — não às potências que sempre exploraram o Sul global

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o debate internacional sobre minerais críticos a um novo patamar ao afirmar, durante viagem à África do Sul e Moçambique, que discutir esses recursos é discutir soberania nacional. Para Lula, o Brasil — dono de aproximadamente 10% das reservas mundiais desses elementos — não pode aceitar o velho papel de fornecedor barato enquanto outros países enriquecem com o valor agregado.

“Falar sobre minerais críticos também é falar sobre soberania”, declarou. “A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população”.

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), minerais como lítio, níquel, cobalto e terras raras são essenciais para setores de alta tecnologia, defesa, chips, baterias e transição energética. Lula reforçou que países com grandes reservas não podem ser tratados como meros depósitos de matéria-prima, enquanto o lucro e o conhecimento ficam em mãos estrangeiras. “O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, afirmou.

A posição de Lula está totalmente alinhada ao documento final da Cúpula do G20, que recomenda que o beneficiamento e a industrialização dos minerais críticos ocorram nos países de origem, rompendo o ciclo histórico de exploração colonial. O objetivo é criar um modelo de exploração responsável, soberano e inclusivo.

O presidente também ampliou o debate ao alertar para o risco de um novo tipo de dominação: o colonialismo digital. Segundo Lula, a concentração do controle sobre algoritmos e dados nas mãos de poucas potências e grandes corporações ameaça criar uma desigualdade ainda mais profunda do que as do período colonial. “Devemos garantir que todos tenham acesso seguro, protegido e confiável à IA”, disse.

O alerta ganha força quando confrontado com a realidade: 2,6 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à internet. Em países de alta renda, a conexão chega a 93% da população; nas nações mais pobres, apenas 27%. Para Lula, inclusão digital é requisito básico de soberania e desenvolvimento.

Outro ponto central foi a proteção aos trabalhadores em um mundo cada vez mais automatizado. De acordo com dados apresentados pelo presidente, 40% da força de trabalho global desempenha funções altamente suscetíveis à automação por IA. Lula defendeu que a transição tecnológica deve gerar inclusão, e não exclusão. “Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social.”

Durante o encontro, Lula reforçou a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que vai orientar as políticas públicas para exploração e industrialização desses recursos no Brasil. A ideia é inserir o país como protagonista da cadeia global de valor, e não como simples exportador de insumos brutos.

A agenda internacional incluiu encontros com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e a participação no Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS). A viagem faz parte das comemorações dos 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique.

Com a união entre industrialização, tecnologia, IA democrática, inclusão digital e proteção ao trabalho, Lula enviou ao mundo um recado inequívoco: o Brasil não aceitará nenhum tipo de colonialismo — nem o mineral, nem o digital, nem o social.


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