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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Quando é para atacar Lula eles gritam, mas quando o dinheiro chega eles publicam escondido no rodapé da prefeitura

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A máquina bolsonarista tem um talento curioso: fazer escândalo quando convém e silêncio absoluto quando não interessa. A gestão do prefeito Abílio Brunini, em Cuiabá, é a prova viva desse comportamento. A prefeitura recebeu mais de R$ 20 milhões do governo federal para investir na saúde — dinheiro suficiente para reduzir filas, acelerar cirurgias e dar dignidade a milhares de cuiabanos — mas escolheu publicar tudo escondido, em um suplemento da “Gazeta Municipal”, no dia 18, como quem registra um aviso de condomínio que ninguém lê.

Nada de coletiva, nada de anúncio, nada de vídeo indignado no Instagram. Transparência zero.
E pensar que há poucas semanas o mesmo prefeito dizia que “não queria dinheiro do PT”. Pois é… mas receber, recebeu. E quietinho.

O montante foi destinado ao Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), sendo repartido da seguinte forma:
R$ 3,9 milhões para cardiologia;
R$ 2 milhões para otorrinolaringologia;
R$ 5,7 milhões para oftalmologia;
R$ 5,3 milhões para ginecologia;
R$ 4 milhões para ortopedia.

O problema é que, junto com os recursos, não veio o básico:
nenhum plano público de execução;
nenhum cronograma;
nenhuma meta;
nenhuma lista de hospitais beneficiados;
nenhuma licitação detalhada.

Ou seja, R$ 20 milhões entram na conta da prefeitura e simplesmente desaparecem do debate público. Quem precisa de cirurgia continua esperando. Quem precisa de consulta continua na fila. Quem depende do SUS continua sofrendo. Mas a prefeitura, essa, se mantém firme na cultura do “publica escondido e finge que ninguém viu”.

A contradição política salta aos olhos: um prefeito que posa de perseguido pelo governo federal, grita “ideologia” em qualquer oportunidade e tenta alimentar militâncias radicais contra Brasília… é o mesmo que aceita milhões enviados pelo governo Lula e publica tudo no escuro. A velha hipocrisia que já virou método: atacar de dia, receber em silêncio à noite.

Enquanto isso, Cuiabá segue convivendo com filas intermináveis, exames represados, diagnósticos tardios e hospitais sobrecarregados. A pergunta é simples: se esse dinheiro foi realmente destinado ao povo, por que esconder?
Por que não mostrar para onde vai cada centavo?
Por que não explicar como os pacientes serão beneficiados?
A resposta também é simples: porque transparência nunca foi prioridade.

A população cuiabana — que paga impostos, sustenta o município e depende do SUS — merece saber o destino desses R$ 20 milhões. E merece saber agora, antes que esse dinheiro vire propaganda, promessa vazia ou fique perdido no labirinto burocrático da prefeitura.

O bolsonarismo local segue alimentando o teatro de vitimização, mas quando a cortina cai, a verdade aparece: eles atacam Lula, mas não dispensam o dinheiro; criticam Brasília, mas dependem dela; pregam moralidade, mas escondem recursos públicos.

A saúde pública não pode ser tratada como segredo de gabinete.
Transparência é dever.
Silêncio é confissão.


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