
De curiosidade a delírio: o capitão meteu “ferro quente” achando que o aparelho ouvia até pensamento
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Jair Bolsonaro chegou ao estágio final do seu próprio labirinto mental. O ex-presidente, que sempre alimentou teorias conspiratórias como quem coleciona figurinhas raras, agora protagoniza um episódio que faria qualquer roteirista de série de comédia política jogar a toalha. Segundo aliados entrevistados por Mônica Bérgamo, Bolsonaro acreditava que sua tornozeleira eletrônica — aquela mesma colocada após condenação pela tentativa de golpe de Estado — estava “grampeada”, capaz de ouvir suas conversas em casa. Para completar o surto, o ex-presidente confidenciava a visitantes que o aparelho era quase um “microfone ambulante”.
O medo da prisão iminente, relatam interlocutores, parece ter empurrado Bolsonaro para um estado de confusão mental e ansiedade que beira o delírio absoluto. É a ironia final do bolsonarismo: o homem que dizia enfrentar o “sistema”, no fim das contas, travava luta contra uma tornozeleira.
A deterioração emocional não começou ontem. Bolsonaro passou mais de duas décadas cercado por assessores que carregavam suas malas, preparavam seus remédios, organizavam seus compromissos e mediavam sua relação com o mundo real. Agora, isolado dentro de casa por ordem judicial, ele se vê obrigado a lidar com tarefas domésticas básicas. Para quem fugia até de responsabilidade sanitária em plena pandemia, lidar com uma tornozeleira virou um gatilho.
E foi exatamente neste estado mental que, às 0h07 do sábado (22), o alarme do aparelho disparou. O Centro Integrado de Monitoração Eletrônica é acionado e uma servidora da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal vai até a residência do ex-presidente. O que encontra? Um equipamento queimado, com marcas evidentes de altas temperaturas no invólucro plástico.
A equipe de escolta havia dito que Bolsonaro “bateu na escada”. Mas ao examinar o aparelho, a servidora conclui o óbvio: aquilo não era acidente. Aquilo era ferro quente. Ferro de solda.
No vídeo da vistoria, a cena beira o absurdo. Ela pergunta quando ele mexeu no equipamento. Bolsonaro diz: “Final da tarde”. Pergunta se usou algo. Ele responde: “Meti ferro quente… curiosidade”. Ao ser questionado se era ferro de passar roupa, ele corrige: “Ferro de soldar. Solda”.
Uma confissão tão explícita quanto tragicômica: Bolsonaro usou uma ferramenta que derrete metal para tentar violar a tornozeleira. É como tentar fugir de um labirinto incendiando o próprio chão, acreditando que o fogo é a saída.
A equipe substituiu o aparelho ainda de madrugada e relatou tudo ao Supremo Tribunal Federal. Moraes, ao analisar o caso, foi categórico: a tentativa demonstrou intenção clara de fuga. E assim veio a prisão preventiva.
O bolsonarismo, que por anos pintou Bolsonaro como um “estrategista genial”, agora precisa lidar com a imagem do seu líder confessando em vídeo que queimou o próprio monitor judicial porque achava que ele estava ouvindo suas conversas. Não é uma sátira: é a realidade, dura, nua e tosca.
E quem duvida que o próximo passo seria tentar tirar a tornozeleira jogando sal grosso?

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