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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

A confissão de Bolsonaro destrói a fantasia da perseguição e expõe, mais uma vez, a farsa bolsonarista: até o Centrão pulou do barco, deixando os “patriotas” sozinhos com seu mito derretido.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A implosão do projeto de anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro veio de onde ninguém esperava: do próprio Jair Bolsonaro. O vazamento do vídeo em que o ex-presidente admite ter usado um ferro quente para tentar violar sua tornozeleira eletrônica caiu como uma bomba no Congresso e varreu qualquer chance de o Centrão continuar sustentando a narrativa de inocência fabricada pelo bolsonarismo.

A cena é grotesca. Bolsonaro descreve calmamente como tentou arrancar a tornozeleira queimando o equipamento “no final da tarde”, com um “ferro de soldar”, como se estivesse falando de um churrasco de domingo. A confissão enterra de vez o discurso de perseguição, fragiliza qualquer tentativa de defesa e confirma exatamente o que o ministro Alexandre de Moraes apontou ao decretar a prisão preventiva: risco real de fuga.

Centrão joga a toalha

Líderes do Centrão, que até ontem articulavam abertamente a aprovação da anistia, agora falam em “ambiente impossível”. A revelação expôs demais o caráter criminoso da tentativa de sabotagem do sistema de monitoramento e acendeu um alerta sobre o custo político de seguir protegendo Bolsonaro.

Parlamentares relatam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estava prestes a retomar o tema. Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, já preparava ajustes e chegou a declarar à Folha de S.Paulo que a prisão preventiva poderia “impulsionar” a discussão — antes de o vídeo circular.

Tudo mudou em poucas horas.

Com a gravação viralizada, líderes avaliam que pautar a anistia agora seria interpretado como uma afronta direta ao Supremo Tribunal Federal e mergulharia o Congresso em um desgaste desnecessário, sobretudo num momento em que a opinião pública está mobilizada pelas imagens do ex-presidente confessando o delito.

A farsa desmontada

O próprio Centrão admite que não existe mais clima nem para anistia nem para redução de penas — a chamada dosimetria — que vinha sendo considerada por alguns parlamentares. Se antes já era difícil justificar o perdão, agora se tornou politicamente suicida.

O vídeo desmonta o discurso bolsonarista segundo o qual a violação da tornozeleira teria sido “invenção” dos adversários. A gravação elimina qualquer brecha para a narrativa de injustiça e escancara a intenção deliberada de violar o monitoramento, o que coloca Bolsonaro no núcleo duro da trama golpista reconhecida pelo STF.

O que vem pela frente

Mesmo setores do centro que tentam manter pontes com a direita reconhecem que o horizonte é hostil para o ex-presidente e seus aliados. É possível que, mais adiante, haja discussão restrita à dosimetria para manifestantes de participação secundária — mas o nome de Bolsonaro está completamente fora de qualquer possibilidade de benefício.

Governistas avaliam que a oposição deve intensificar a gritaria, mas o impacto jurídico e político das imagens é irreversível: Bolsonaro confessou o crime. E essa confissão quebra a espinha dorsal do discurso bolsonarista, ao mesmo tempo em que constrange, isola e enfraquece seu grupo no Congresso.

O fato é simples e devastador: até o Centrão percebeu que não dá para defender alguém que tentou queimar a tornozeleira com ferro quente.

E se até o Centrão desistiu, os “patriotas” que restaram vão ter que decidir se continuam apostando num mito que derrete até com um soprinho — ou com um curto-circuito.


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