
Entre a tentativa de fuga, a vigília improvisada e a debandada dos aliados, a prisão de Bolsonaro expõe o caos interno do bolsonarismo e o fim de qualquer narrativa de controle.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A manhã de 22 de novembro de 2025 entrou para a história como o dia em que Jair Bolsonaro finalmente provou do próprio veneno. Às 06h35, ele desembarcava na Superintendência da Polícia Federal, preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Não foi a oposição que o derrubou, não foi o STF que “inventou” um crime, tampouco a imprensa que “perseguiu”: foi o próprio bolsonarismo, em sua versão mais desastrada, tumultuada e teatral.
A operação começou ainda na madrugada. Às 00h08, segundo a decisão de Moraes, Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica — gesto típico de quem não pretende exatamente “colaborar com a Justiça”. Era a senha que faltava.
E, como se o roteiro já não fosse suficientemente absurdo, o senador Flávio Bolsonaro, primogênito e eterno herdeiro político do pai, decidiu convocar uma vigília em frente ao condomínio do ex-presidente, no Jardim Botânico, em Brasília. A região, que até então vivia de silêncio e pássaros, virou um novo acampamento golpista, com gente carregando bandeira, gritando palavras de ordem e criando exatamente o tipo de tumulto que a PF usa como justificativa para prisão preventiva.
Moraes, ao avaliar o cenário, não teve dúvidas: com vigília, possível fuga e tornozeleira violada, a prisão era “indispensável”. Ele ainda determinou que tudo fosse feito sem algemas e sem exposição, “com respeito à dignidade do ex-presidente”. Respeito, inclusive, maior do que Bolsonaro demonstrou pelas instituições, pela democracia e pelas próprias quatro linhas que ele dizia obedecer — só dizia.
Mas a ironia não parou ali. Enquanto Flávio criava o circo na porta de casa, Alexandre Ramagem, ex-diretor da ABIN e condenado por participação no esquema golpista, simplesmente desaparecia. Fugiu. Sumiu. Moraes citou isso diretamente: se aliados estão fugindo, Bolsonaro poderia fazer o mesmo. E não faltavam sinais de que tentaria — a tornozeleira era um deles.
Levantado da cama pela PF, Bolsonaro fez o exame de corpo de delito no Instituto Nacional de Criminalística. Do lado de fora, Michelle Bolsonaro, em vez de comentar a tentativa de fuga, publicou um louvor nas redes sociais, pedindo socorro aos céus. Enquanto ela olhava para o alto, o país olhava para a lei.
No fim, o destino pregou a peça mais cruel: Bolsonaro não foi derrubado por adversários. Foi derrubado pelos seus — pelo filho que chamou tumulto, pelo aliado que fugiu e pelo próprio gesto de tentar romper a tornozeleira. O golpe voltou para casa, bateu na porta e o dono abriu.
O “mito” acordou preso. E não há louvor que desfaça o fato: as quatro linhas finalmente o encontraram.

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