
A cidade pobre e o prefeito rico em cara de pau: o moralismo bolsonarista que some quando a verba pública vira cachê.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Cacaulândia, em Rondônia, com pouco mais de 6.600 habitantes, ganhou destaque nacional não por uma grande obra, não por avanço social, não por melhoria nos serviços essenciais — mas pela tentativa frustrada de gastar R$ 400 mil de dinheiro público no show de Zezé Di Camargo, dentro de uma festa milionária que nunca fez sentido para a realidade local.
O Ministério Público agiu e o Tribunal de Justiça de Rondônia suspendeu o evento, escancarando o óbvio: falta de transparência, justificativas rasas e um gasto absolutamente incompatível com as necessidades da população. O prefeito parecia mais preocupado com holofotes do que com o básico — saúde, educação, infraestrutura e dignidade para quem vive na cidade.
É sempre a mesma turma: os falsos moralistas bolsonaristas que passam o dia atacando artistas, Lei Rouanet, cultura e programas sociais… mas que, quando têm a caneta na mão, transformam prefeitura pobre em camarote VIP. Contra investimento no povo, eles gritam; mas para torrar dinheiro público em show sertanejo, eles silenciam.
Cacaulândia enfrenta falta de recursos, dificuldades operacionais e carências profundas, mas o prefeito achou razoável priorizar palco, camarim e cachê de celebridade. É o retrato exato do moralismo hipócrita que domina parte do país: austeridade só vale para o pobre; para o gestor aliado, vale a festa — e quem paga é sempre o povo.
A suspensão do show desmonta a propaganda, expõe a incompetência e revela o que realmente importa para certos governantes: vaidade e espetáculo, nunca responsabilidade. Cacaulândia (RO) virou símbolo de um Brasil que precisa urgentemente separar gestor de animador de rodeio.

Deixe um comentário