
De delator a condenado: o ex-braço direito de Bolsonaro cumpre dois anos de prisão em regime aberto após acordo com o STF e tem a tornozeleira retirada em Brasília.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Mauro Cid foi preso em maio de 2023, pela Polícia Federal, acusado de inserir dados falsos de vacinação no sistema do Ministério da Saúde para beneficiar Jair Bolsonaro e familiares. O caso se desdobrou e, com o avanço das investigações, revelou uma teia de irregularidades que ligavam o ex-ajudante de ordens diretamente aos esquemas do entorno presidencial — da venda ilegal de joias sauditas ao desvio de presentes oficiais.
Durante meses, o nome de Cid virou sinônimo de lealdade cega. Era ele quem operava o telefone de Bolsonaro, organizava agendas, cuidava das mensagens e das transferências sigilosas. Quando as investigações do golpe de 8 de janeiro vieram à tona, seu papel se tornou crucial: mensagens e áudios apreendidos mostravam oficiais da ativa e civis tramando contra o resultado das urnas.
Cercado de provas, Mauro Cid decidiu colaborar com a Justiça. Fez um acordo de delação premiada com o Supremo Tribunal Federal (STF) e entregou documentos e conversas que ajudaram a identificar o envolvimento de generais e assessores em tentativas de minar o processo eleitoral. Em troca, recebeu uma pena reduzida — dois anos de prisão em regime aberto.
No fim de outubro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena. E nesta semana, Cid compareceu a uma audiência em Brasília, onde a juíza auxiliar Flávia Martins de Carvalho, do STF, autorizou a retirada da tornozeleira eletrônica. Ele seguirá sob restrições: deve permanecer em Brasília, está proibido de usar redes sociais, não pode manter contato com outros investigados e precisa cumprir recolhimento domiciliar das 20h às 6h, além de ficar em casa nos fins de semana.
Para o Exército, Mauro Cid está em férias — mas o destino militar do ex-tenente-coronel parece selado. O pedido de baixa já foi protocolado e, segundo fontes do próprio comando, dificilmente ele voltará à ativa. O homem que um dia foi a sombra do ex-presidente agora tenta viver longe dos holofotes.
A decisão de Moraes gerou reações diversas. Juristas destacam que o acordo de colaboração foi essencial para avançar nas investigações do núcleo golpista. Já setores da sociedade criticam a leveza da punição: como alguém envolvido em um plano de destruição da democracia pode terminar o dia dormindo em casa?
Mas há um simbolismo inegável. O mesmo homem que um dia seguiu cegamente ordens do poder agora cumpre as ordens da Justiça. A tornozeleira pode ter saído do tornozelo de Mauro Cid, mas o peso da história ele vai carregar por muito tempo.

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