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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

“Enquanto eu estiver na presidência dessa CPI, o medo não faltará ao debate sobre o crime. A verdade será a protagonista.” Foi com essa frase que o senador Fabiano Contarato (PT-ES) deu início à sua missão à frente da CPI do Crime Organizado, instalada no Senado Federal em 4 de novembro de 2025. Com 27 anos de experiência como delegado da Polícia Civil, Contarato promete conduzir uma investigação firme, independente e sem submissão a pressões políticas.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O delegado que enfrentou poderosos

Antes de entrar para a política, Fabiano Contarato construiu uma carreira marcada por coragem e enfrentamento direto ao poder econômico e político. Delegado de carreira no Espírito Santo, ficou conhecido nacionalmente por sua atuação em casos de corrupção, crimes ambientais e grandes operações contra o tráfico. Foi também um dos primeiros delegados a usar câmeras em blitzes e abordagens, como forma de garantir transparência e respeito aos direitos humanos.

Contarato ganhou notoriedade quando autuou um filho de desembargador que se recusou a cumprir a lei de trânsito, e outro episódio em que multou um juiz por dirigir sem cinto de segurança. Essas atitudes, que enfrentavam o privilégio e a impunidade, o transformaram em símbolo de retidão e independência dentro das forças policiais.

Do combate nas ruas à luta no Senado

Em 2018, decidiu levar essa mesma coragem para a política. Foi eleito senador pelo Espírito Santo com votação expressiva, superando caciques tradicionais da política local. Desde então, construiu uma trajetória marcada por defesa da democracia, direitos humanos e combate à corrupção, mantendo a coerência que o acompanhou desde os tempos de delegado.

Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2022, Contarato tem uma postura que combina progressismo social e rigor legal, o que o diferencia no cenário político atual. É autor e relator de projetos de lei sobre proteção à infância, segurança viária, combate ao feminicídio e criminalização de discriminação por orientação sexual.

Seu estilo é direto, técnico e emocionalmente honesto. Em discursos no Senado, não raro mistura dados estatísticos com apelos éticos, evocando o dever moral de servidores públicos e parlamentares diante do sofrimento do povo.

Um símbolo de ética e diversidade

Fabiano Contarato também representa um marco na história política brasileira. Foi o primeiro senador abertamente gay do Brasil, casado e pai de dois filhos, o que o transformou em referência de inclusão e respeito à diversidade dentro do Congresso Nacional — um espaço que ainda carrega fortes traços de conservadorismo.

Ele usa essa visibilidade para defender pautas de igualdade e cidadania, sem jamais abrir mão de sua identidade como policial e servidor público. “Sou cristão, pai e delegado. Nada disso me impede de defender os direitos humanos, pelo contrário: é o que me dá razão para lutar por eles”, costuma dizer.

A missão na CPI do Crime Organizado

Ao assumir a presidência da CPI, Contarato assume também o desafio de enfrentar um dos temas mais delicados e perigosos do país. Ele próprio reconhece que o crime organizado hoje “já não se limita às periferias”, mas infiltra-se em estruturas do Estado, corrompendo agentes públicos e distorcendo políticas de segurança e justiça.

“A nossa meta é investigar não apenas os executores, mas também os líderes, os financiadores e os cúmplices que lucram com a violência e a corrupção”, afirmou o senador, prometendo transparência absoluta e o uso de instrumentos legais para rastrear o dinheiro e a influência política das facções.

A CPI, composta por 11 senadores, terá 120 dias de prazo inicial e promete ser uma das mais tensas e reveladoras dos últimos anos. A eleição apertada — 6 votos a 5 sobre Hamilton Mourão (Republicanos-RS) — evidencia o quanto há em jogo. Mourão, ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro, aceitou ser vice da comissão, e a relatoria ficou com Alessandro Vieira (MDB-SE), outro nome técnico.

Um contraponto ético em meio ao caos

Num Congresso frequentemente dominado por escândalos e manobras políticas, Contarato surge como uma figura rara: um delegado de origem humilde, servidor de carreira, que chegou ao Senado sem abandonar os princípios que o tornaram respeitado. Sua postura firme, combinada com empatia e senso de justiça, o coloca entre as vozes mais respeitadas da política contemporânea.

Ao final do discurso que marcou sua posse na presidência da CPI, Contarato deixou uma mensagem que resume seu propósito:
“Não há democracia sem justiça. E não há justiça onde o crime governa. A CPI do Crime Organizado não será um teatro — será um instrumento de verdade e coragem.”


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