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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Enquanto o governador posa de herói nacional, o povo vive sitiado pelo medo. Feminicídios, estupros, facções e déficit de mais de dois mil policiais revelam que o Mato Grosso não está pronto nem para cuidar de si — quanto mais do Rio de Janeiro.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela


O governador Mauro Mendes resolveu se vestir de “xerife nacional” e anunciou, com a empáfia de quem vive em um filme de ação, que o Mato Grosso está pronto para enviar policiais ao Rio de Janeiro.
Mas há um detalhe que o governador esqueceu de mencionar: o estado que ele governa mal consegue garantir segurança dentro das próprias fronteiras.

Segundo dados da própria Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), o déficit nas forças policiais passa de 2 mil agentes. E enquanto faltam policiais nas ruas, sobram homens armados protegendo o governador e sua família — mais de 80 seguranças particulares e públicos, pagos com o dinheiro do contribuinte, para garantir a única segurança que realmente funciona em Mato Grosso: a do Palácio Paiaguás.

O estado da violência

Mato Grosso ocupa há dois anos consecutivos o primeiro lugar no ranking nacional de feminicídios, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
As estatísticas mostram o que as mulheres sentem na pele: a cada 10 dias, uma mulher é assassinada por companheiros ou ex-companheiros.
E o governo, que deveria proteger, parece mais preocupado em proteger a própria imagem.

Os números da violência são estarrecedores:
Feminicídios: 1º lugar no Brasil.
Estupros: entre os cinco estados com maior taxa por 100 mil habitantes.
Homicídios dolosos: aumentaram nas regiões de fronteira, impulsionados pelo avanço das facções criminosas, que hoje dominam bairros inteiros em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop.
Déficit policial: mais de 2 mil vagas em aberto entre Polícia Civil e Militar, o que sobrecarrega agentes e enfraquece o combate ao crime.

A Defensoria Pública estadual alertou que “a ausência de políticas públicas efetivas e de proteção às mulheres” contribui para a escalada da violência. Enquanto isso, Mauro Mendes insiste em posar de estadista, oferecendo tropas que nem possui em número suficiente para garantir o básico.

Segurança para poucos

Em eventos públicos, Mauro Mendes chega cercado de seguranças, carros blindados e comboios que mais lembram o aparato de um chefe de Estado estrangeiro.
Durante a inauguração do Hospital Metropolitano de Cuiabá (HMC), o espetáculo foi digno de Hollywood: carros de luxo, seguranças armados pendurados nos veículos e um cordão humano cercando o governador como se ele fosse uma celebridade internacional.
Quem olhava de longe podia até se perguntar: “Será que o Donald Trump desembarcou em Cuiabá?”.

Enquanto isso, nos 142 municípios mato-grossenses, famílias vivem sem policiamento adequado. O interior enfrenta escassez de delegados, viaturas sucateadas e batalhões reduzidos. O crime se espalha e a sensação de abandono aumenta — especialmente nas regiões Norte e Oeste, onde a presença do Estado se resume a promessas de campanha.

O teatro do poder

A tentativa de Mauro Mendes de aparecer no noticiário nacional como “o governador que ajuda o Rio de Janeiro” é mais uma encenação de marketing.
Não há plano real de segurança, apenas discurso.
Não há investimento estratégico, apenas autopromoção.
Não há liderança, apenas o exibicionismo de quem prefere holofotes a resultados.

O Mato Grosso é o terceiro maior estado em território do Brasil e exige uma estrutura de segurança robusta e descentralizada.
Mas o que se vê é o oposto: o governo abandona as polícias, não valoriza os profissionais da base e, ainda assim, quer posar de salvador da pátria.
Enquanto o governador manda reforço para outros estados, mães choram a perda de filhas vítimas de feminicídio, famílias fogem de facções e trabalhadores têm medo de voltar para casa à noite.

A hipocrisia de quem fala em segurança

Um governo que não dá conta de garantir segurança dentro de casa não tem moral para oferecer ajuda fora dela.
O povo mato-grossense não precisa de encenação, precisa de polícia nas ruas, de investimento em inteligência e de políticas que enfrentem as causas da violência.
O discurso de Mauro Mendes é o retrato de uma gestão que governa para as câmeras e ignora a realidade.

Se o governador não sabe cuidar da própria casa, como pretende cuidar da dos outros?

Mato Grosso não está pronto para ajudar o Rio de Janeiro. Está, isso sim, à beira do colapso — e o povo, abandonado à própria sorte, já entendeu que a segurança do governador vale mais que a vida de qualquer cidadão comum.


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