
Há exatos 93 anos, o Brasil deu um passo histórico rumo à igualdade ao reconhecer o direito das mulheres de votar e serem votadas. Desde 1932, o voto feminino não apenas mudou o país — ele libertou gerações, abriu caminhos e transformou a política em um espaço de luta, coragem e sensibilidade social.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A conquista do voto feminino nasceu da resistência de mulheres que não aceitaram o silêncio imposto pela sociedade patriarcal. Bertha Lutz, Celina Guimarães Viana e tantas outras pioneiras desafiaram a exclusão política e provaram que a democracia não existe sem a presença feminina. Graças a elas, hoje, as brasileiras são maioria nas urnas e protagonistas da história.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro — mais de 82 milhões de eleitoras. Elas são a maioria que decide o futuro do país. No entanto, esse poder nas urnas ainda não se reflete nas cadeiras de poder: na Câmara dos Deputados, apenas 17,7% dos assentos são ocupados por mulheres; no Senado Federal, o índice é de 19,8%.
Essa contradição expõe uma ferida antiga: o Brasil ainda é um país onde as mulheres votam muito, mas são pouco votadas. Parte disso vem de uma cultura política machista, que sempre ensinou as eleitoras a enxergarem os homens como figuras de autoridade, mesmo quando são as próprias mulheres que mais sentem os efeitos das políticas públicas mal planejadas.
A falta de representatividade feminina na política não é apenas uma questão de números — é uma questão de perspectiva. Qual homem tem a sensibilidade de uma mulher para compreender a dor da maternidade solo, a violência doméstica, a sobrecarga de trabalho e a desigualdade salarial? Quem, senão uma mulher, pode entender o que é ser interrompida, invisibilizada ou desvalorizada dentro do próprio espaço de fala?
Mesmo assim, muitas mulheres ainda depositam sua confiança em políticos homens — e o fazem, muitas vezes, por falta de referência feminina nas instâncias de poder. O sistema político, historicamente dominado por homens, moldou a ideia de que liderança é sinônimo de masculinidade. As mulheres foram ensinadas a admirar líderes autoritários, e não gestoras empáticas. Foram acostumadas a ver o poder como um atributo masculino — e não como um direito coletivo.
Mas essa lógica está mudando. Com o avanço de políticas públicas de incentivo à participação feminina e as ações afirmativas promovidas pelos governos progressistas — especialmente nos mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores (PT) —, a presença de mulheres na política cresceu quase 40%, e mais da metade dessas novas lideranças são mulheres negras.
Essas novas representantes não apenas ocupam cargos: elas transformam a forma de governar. Levam para o debate político a sensibilidade social, o olhar humano e o compromisso com as causas populares. São parlamentares que lutam por creches públicas, igualdade salarial, enfrentamento à violência doméstica, políticas de saúde da mulher, educação inclusiva e preservação ambiental.
A presença feminina não é apenas uma questão de justiça — é de eficiência política. Quando mulheres governam, a sociedade inteira avança. Onde há mulher no poder, há mais diálogo, mais cuidado, mais responsabilidade social.
E a pergunta segue ecoando: por que ainda confiamos tanto nos homens para resolver problemas que eles mesmos ajudaram a criar?
O voto feminino mudou o Brasil. Agora, as mulheres estão mudando a política — e com elas, renasce a esperança de um país mais sensível, justo e verdadeiramente democrático.

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