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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

O atestado médico serviu para o INDEA, mas não para a Câmara. Durante 60 dias, o vereador trabalhou, discursou e viajou — afinal, quem assinava por ele?

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O presidente do Partido dos Trabalhadores de Sinop, Jorsinei Sobreiro de Souza — o Ney da Saúde, protocolou junto ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE) uma representação formal contra o vereador Rodrigo Gargantini Silva (Partido Novo).
A denúncia, protocolada em 1º de outubro de 2025, pede investigação por improbidade administrativa, estelionato contra a administração pública e acúmulo irregular de cargos públicos.

O motivo é claro: Gargantini apresentou um atestado médico de 60 dias ao INDEA, órgão estadual onde é servidor efetivo, alegando estar incapacitado para o trabalho. Entretanto, durante o mesmo período, manteve plena atividade política na Câmara Municipal de Sinop — participou de todas as sessões, viajou com diárias públicas, discursou em eventos políticos, gravou vídeos e publicou conteúdos nas redes sociais mostrando atuação constante.

💼 A representação apresentada ao Ministério Público

Na representação, Ney anexou documentos oficiais, registros de diárias, publicações em redes sociais e comprovantes de viagens realizadas entre junho e agosto de 2025.
Durante o período em que estava afastado do INDEA, o vereador recebeu R$ 4.946,25 em diárias:

  • 04/08/2025 – R$ 2.100,00, para compromissos em sete cidades de Mato Grosso;
  • 11/08/2025 – R$ 2.846,25, para viagens a São Paulo e Brasília.

As provas demonstram que Gargantini não interrompeu suas atividades políticas. Pelo contrário, participou do ato “Reaja Brasil” no dia 3 de agosto, e, em 17 de agosto, publicou em suas redes:
“Estive em Brasília em uma agenda de muito aprendizado, relacionamentos importantes e conquista de recursos para Sinop.”

As evidências reunidas foram encaminhadas ao Ministério Público, que agora analisa se houve uso indevido de atestado médico e desvio de finalidade funcional.

💰 Os valores que Rodrigo Gargantini recebe como servidor e vereador

Além das contradições envolvendo o atestado médico, a denúncia também chama atenção para os valores recebidos por Rodrigo Gargantini em cargos públicos simultâneos.
Como servidor concursado do INDEA, o vereador possui um salário bruto mensal de aproximadamente R$ 23.267,90.
Na Câmara Municipal de Sinop, recebe um subsídio de R$ 13.900,00, além de uma verba indenizatória próxima de R$ 7.000,00 — totalizando, juntos, mais de R$ 44 mil mensais provenientes de cofres públicos.

Durante o período do atestado médico de 60 dias, o vereador manteve as duas remunerações, recebendo como servidor afastado e como parlamentar em atividade.
Ou seja, enquanto o Estado de Mato Grosso o remunerava por uma função que ele declarou estar impossibilitado de exercer, a população de Sinop continuava pagando pelo seu desempenho político, que seguiu normalmente, com presenças em plenário, viagens e diárias públicas.

📱 A postagem que levou ao boletim de ocorrência

Após Ney tornar públicos os fatos em uma postagem no Instagram, o vereador Rodrigo Gargantini procurou a Delegacia Civil de Sinop e registrou um boletim de ocorrência, alegando perseguição e difamação.
A publicação, que apresentava trechos da denúncia e questionava a coerência do uso do atestado médico, foi o estopim da reação do vereador.

👉 Link da postagem que originou o boletim de ocorrência:

Pouco depois, Gargantini gravou um vídeo tentando se justificar, mas acabou confirmando parte das informações da denúncia.

⚖️ A fala do vereador e as contradições

No vídeo, o vereador afirmou:

🎥 Vídeo de Rodrigo Gargantini tentando se justificar após a denúncia:

“Eu quebrei meu braço, sim. Recebi atestado de 60 dias, sim. E apresentei no INDEA, onde eu sou concursado no Estado do Mato Grosso. Função essa que exige dirigir, assinar documentos e fazer vistorias. É impossível trabalhar nessas condições. Mas, como vereador, eu não me afastei. Mesmo limitado, estive nas sessões, atendi a população e cumpri o meu dever.”

A própria fala evidencia as contradições.
Se o vereador estava impossibilitado de assinar documentos no INDEA, quem assinou os documentos e as diárias da Câmara durante os 60 dias de afastamento?
Se pôde viajar, discursar e comparecer às sessões, por que não pôde realizar atividades administrativas adaptadas no órgão estadual?
E se a limitação física era real, por que não apresentou o mesmo atestado médico à Câmara, permitindo o chamamento do suplente?

Essas perguntas estão na base da representação feita por Ney da Saúde, que defende que o caso “não é perseguição política, mas cobrança de coerência e transparência com o dinheiro público”.

🧾 O depoimento de Ney e a tramitação do caso

Após a repercussão, Ney foi intimado pela Delegacia Civil e compareceu no dia 30 de outubro, às 15h, levando todos os documentos protocolados no Ministério Público e prestando esclarecimentos sobre o caso.

“Quem deve explicações não sou eu, é ele — ao povo de Sinop e ao Estado de Mato Grosso, que pagaram dois salários, diárias e viagens durante 60 dias de atestado”, disse Ney.

A documentação já está sob análise do Ministério Público Estadual, que decidirá se abrirá inquérito civil e procedimento investigatório criminal.

⚖️ As leis que sustentam a denúncia

A representação é embasada em três pilares legais:

Artigo 171 do Código Penal, que define estelionato contra a administração pública, com pena aumentada quando o crime envolve entidade estatal;
Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), que prevê perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por até 14 anos, multa civil e proibição de contratar com o poder público;
Artigo 37 da Constituição Federal, que veda acúmulo remunerado de cargos públicos sem compatibilidade de horários, inclusive para agentes políticos como vereadores.

Caso o Ministério Público constate irregularidades, Gargantini poderá responder na esfera cível e penal, podendo perder o mandato, o cargo público estadual e os direitos políticos.

🗣️ Ney da Saúde: “Não é perseguição, é coerência”

“Não é perseguição, é coerência. Ele mesmo disse que estava impossibilitado de assinar documentos, mas trabalhou, discursou e viajou durante 60 dias. O povo de Sinop e o Estado pagaram essa conta. O que eu cobrei foi transparência. Quem vive de dinheiro público deve respeito ao povo”, afirmou Ney.

A denúncia, agora sob análise do Ministério Público, expõe um caso que ultrapassa a fronteira partidária e coloca em debate a moralidade e o uso de recursos públicos.
Enquanto isso, a população de Sinop observa: afinal, doente para o INDEA, saudável para a política — que tipo de coerência é essa?


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