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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

O Brasil apreende toneladas de drogas todos os anos, mas continua fingindo que o crime está no asfalto — e não nos gabinetes que lavam o lucro. O andar de baixo vai preso, o andar de cima segue blindado. Essa é a verdadeira face da “guerra às drogas” que tanto enriquece quem nunca é revistado.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Segundo dados oficiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 2024 foi o ano com o maior volume de apreensões da história. Foram mais de 850 toneladas de drogas retiradas das rodovias federais — uma montanha de entorpecentes que revela não o sucesso da repressão, mas o tamanho do mercado que financia políticos, empresários e toda uma estrutura criminosa disfarçada de “gente de bem”.

Os números impressionam:
💨 Maconha: 808 toneladas, vindas principalmente da fronteira com o Paraguai.
💎 Cocaína: 41,4 toneladas, apreendidas em rodovias e portos do Sudeste e Centro-Oeste.
💀 Crack: 1,6 tonelada.
💊 Anfetaminas (rebite): 859 mil comprimidos, o combustível químico de caminhoneiros explorados pelo próprio sistema.

O valor total dessas apreensões é surreal: entre R$ 4,7 bilhões (preço de atacado) e R$ 11,5 bilhões (estimativa de varejo usada pela própria PRF e pela imprensa especializada). Só a cocaína apreendida em 2024 equivale a até R$ 7,4 bilhões — dinheiro suficiente para construir mais de 5 mil escolas públicas ou 80 mil casas populares. Mas esse lucro, claro, não é do usuário da esquina: é do banqueiro do crime, do exportador do pó, do político que fecha os olhos e da elite que cheira e paga em dólar.

E 2025 segue o mesmo roteiro. Apenas no primeiro semestre, a PRF já havia apreendido mais de 24 toneladas de cocaína, o que representa um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Paraná, foram 171,6 toneladas de drogas apreendidas, das quais 168,2 toneladas eram maconha. No Mato Grosso do Sul, cargas de 27 toneladas foram encontradas em caminhões “camuflados” com soja e milho.

Enquanto isso, o discurso bolsonarista segue o mesmo: culpar o pobre, exaltar o policial que mata e fingir que não há empresários, fazendeiros e políticos por trás do tráfico internacional. É o teatro da moral invertida — aquele em que o favelado é o vilão e o milionário é “cidadão de bem”.

A guerra às drogas no Brasil nunca foi sobre saúde pública. Foi sobre controle social, sobre criar um inimigo que distraia o povo enquanto os barões do pó seguem investindo na Bolsa e comprando fazendas. Se existe guerra, é uma guerra de classes — e, até agora, só um lado está sangrando.

Quando o dinheiro é branco, ninguém vai preso.
O tráfico não mora no beco — mora na cobertura.


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