
Enquanto milhares de aprovados aguardam nomeação e o Estado acumula recordes de arrecadação, o pré-candidato ao governo de Mato Grosso representa o risco real de um governo que despreza o servidor público e transforma meritocracia em esquecimento.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Em 2020, o vice-governador Otaviano Pivetta (PDT) declarou em entrevista ao Conexão Poder:
“Fora Educação, Saúde Pública, Infraestrutura e Segurança Pública, não temos que fazer concurso público. Não temos que dar estabilidade pra ninguém.”
A fala, que agora volta à tona em 2025, ganha novo peso político. Pivetta é pré-candidato ao governo e tenta se vender como gestor moderno, mas o que suas palavras revelam é o oposto: um projeto de desmonte do serviço público, onde servidores concursados são vistos como obstáculo e estabilidade é tratada como problema.
Servidores aprovados e esquecidos
O Concurso da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), realizado em 2023 e organizado pela FGV, teve mais de 26 mil inscritos e centenas de aprovados aguardando nomeação.
Enquanto isso, o sistema de saúde agoniza: faltam técnicos, enfermeiros e médicos. Em Sinop, 22 leitos estão fechados por falta de profissionais. Em Sorriso, outros 16 leitos permanecem bloqueados, conforme relatórios da imprensa regional.
A ironia é brutal: há gente qualificada, aprovada e pronta para servir — mas o Estado não chama. O discurso de “não precisamos de concurso” parece ter virado política de governo.
Pivetta ignora que sem servidores efetivos não há SUS que funcione. Terceirizar e contratar temporários é abrir espaço para apadrinhamento político e precarização do atendimento à população.
Segurança pública em colapso
Com 903 mil km², Mato Grosso é o terceiro maior estado do Brasil e enfrenta graves desafios de criminalidade. Mesmo assim, o efetivo policial está em colapso.
Um documento do próprio governo mostra que, dos 12.911 cargos previstos nas forças de segurança, apenas 6.992 estão ocupados. São quase 6 mil vagas em aberto — metade do necessário para garantir policiamento em todos os 142 municípios.
O concurso da Polícia Militar de 2022 aprovou cerca de 1.800 candidatos, mas apenas 505 foram convocados. Os demais aguardam nomeação, enquanto o governo chegou a cogitar contratar policiais temporários para tapar o buraco — uma afronta a quem dedicou anos de estudo e risco à própria vida.
A pergunta que ecoa entre os concursados é a mesma:
Será que fazem concurso só pra levantar receita?
Receita bilionária, descaso milionário
Mato Grosso arrecadou R$ 39,1 bilhões em 2024, segundo dados oficiais da Secretaria de Fazenda (Sefaz). Em 2025, o Estado já superou a marca dos R$ 40 bilhões em setembro, o que representa crescimento antecipado e robustez fiscal.
A despesa com pessoal, no entanto, ficou em 43,9% da Receita Corrente Líquida — abaixo do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 46,5%.
Ou seja, há espaço fiscal e financeiro para nomear os aprovados.
Se sobra arrecadação e falta convocação, o problema não é dinheiro — é prioridade política.
A ausência de nomeações em meio a cofres cheios expõe a contradição: o Estado cresce, mas o serviço público encolhe.
E se Pivetta carrega o pensamento de que “não precisamos de estabilidade”, fica claro o que virá num eventual governo seu: mais terceirizações, menos servidores, e o povo entregue à sorte.
O valor de quem foi aprovado
Os aprovados em concurso são o retrato da verdadeira meritocracia. Gente que estudou, venceu provas e conquistou o direito de servir ao povo com ética, competência e dedicação.
Ignorar essa conquista é um insulto ao esforço de milhares de famílias que veem no concurso uma chance de vida digna e serviço de qualidade.
Um governo que despreza seus servidores despreza também o cidadão que depende deles.
Sem concurso, o Estado vira cabide de indicações.
Sem estabilidade, o servidor perde a voz.
Sem respeito, o povo perde tudo.
A memória que não se apaga
Pivetta tenta apagar a frase, mas a verdade não caduca:
“Não temos mais que fazer concurso nem dar estabilidade pra ninguém.”
Se esse é o pensamento do homem que quer governar Mato Grosso, então os aprovados já sabem o que esperar: o esquecimento.
E o eleitor precisa decidir se quer um Estado governado por quem acredita em servidores — ou por quem acha que eles são descartáveis.

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