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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Quando o crime é no asfalto, o Estado fala baixo. Quando é na favela, ele atira primeiro e pergunta depois. O mesmo Rio que chama pobre de “narcoterrorista” silenciou diante do arsenal apreendido ao lado da casa de Bolsonaro.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Em março de 2019, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu 117 fuzis automáticos dentro de uma residência de luxo no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo onde morava Jair Bolsonaro. O imóvel pertencia a um homem ligado ao ex-policial Ronnie Lessa, acusado de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes.

As armas estavam desmontadas, embaladas em caixas plásticas, prontas para montagem e distribuição. Era o maior arsenal já apreendido na história do Rio. E, diferente das operações nas favelas, não houve um só tiro, nem um morto. Nenhum helicóptero, nenhuma “troca de tiros”, nenhum “confronto”. Apenas silêncio — o silêncio conveniente de quem protege o próprio quintal.

O contraste que o Brasil finge não ver

Enquanto o governador Cláudio Castro chama de “narcoterrorismo” as comunidades pobres e defende as operações que deixaram mais de 120 mortos em poucos dias, o país ignora o escândalo dos 117 fuzis presos na casa do vizinho de Bolsonaro.

No condomínio de luxo, a apreensão de armas de guerra virou nota de rodapé. Na favela, cada esquina é tratada como campo de batalha. O Estado poupa o rico e mata o pobre.

A guerra tem CEP

No asfalto, o crime é “ocorrência isolada”. No morro, é “guerra ao tráfico”. A diferença está no endereço — e no sobrenome.
Os mesmos que defendem operações sangrentas contra os pobres nunca pediram explicações sobre o arsenal guardado ao lado da casa de Bolsonaro. Nenhum bolsonarista, nenhum “patriota” se indignou com 117 fuzis sob o teto da elite.

A moral seletiva dos que gritam por “lei e ordem” desaba diante desse fato: o narcoterrorismo real não mora na favela — mora no condomínio.

O Brasil armado e hipócrita

O caso dos 117 fuzis é a prova de que a violência não nasce nas favelas, mas nos corredores blindados da elite, onde o crime se veste de poder. O silêncio sobre esse episódio é cúmplice.

Enquanto o governador comemora números de mortos e chama o povo de “narcoterrorista”, o verdadeiro arsenal do terror foi descoberto ao lado da casa do ex-presidente. E ninguém foi preso.


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