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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Enquanto brada pela moral cristã e se diz inimigo da corrupção, o deputado bolsonarista foi bancado por empresários investigados em fraudes fiscais e cartel no setor de combustíveis em Minas Gerais. A “fé” de Nikolas parece funcionar a álcool adulterado.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela


O moralista de fachada financiado pela lama

Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado bolsonarista que posa de pastor da moralidade e garoto-propaganda do “cristianismo raiz”, está envolvido em um escândalo que desmascara seu discurso de pureza.
A reportagem de Sara Vivacqua, publicada no Diário do Centro do Mundo (DCM), revelou que o maior doador individual da campanha de Nikolas foi Ronosalto Pereira Neves, empresário do grupo Mart Minas, investigado pela Polícia Federal na Operação Ross — que apurou fraudes fiscais, manipulação de preços e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Em depoimento, o empresário confessou envolvimento em esquema de repasses ilícitos ligados à JBS e ao ex-senador Aécio Neves. Disse ter feito uma “transação financeira” a pedido de Joesley Batista que resultou em R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo, retirado diretamente em sua empresa por um gerente da JBS — informação confirmada em reportagem de O Globo.

Ou seja: o “defensor da ética” foi sustentado, ironicamente, por um homem que já admitiu movimentar mala de dinheiro de um dos maiores esquemas de corrupção do país.


Fé em Deus, confiança no cartel

A ironia é perfeita para o teatro bolsonarista: o pregador da “família tradicional” e da “verdade cristã” ergueu seu império político com combustível vindo da lama.
Ronosalto Pereira Neves, além de estar ligado ao cartel hardcore dos combustíveis em Minas, aparece em delações da PF que apontam formação de quadrilha empresarial, sonegação milionária e cartelização de postos — o tipo de esquema que drena bilhões em impostos e afeta o bolso do cidadão comum.

Enquanto Nikolas grita contra “roubalheira da esquerda”, sua campanha foi lubrificada com o dinheiro sujo da elite empresarial que ele finge combater.


Endereços fantasmas e o QG do combustível

A investigação ainda descobriu que o endereço usado como base da campanha de Nikolas em Belo Horizonte — na Avenida Silva Lobo 667 — é o mesmo de empresas que integraram a Operação Mão Invisível, outra ação que desbaratou o cartel de combustíveis no estado.
Ou seja: o discurso da “nova política” foi construído dentro do velho barril da corrupção mineira.

A coincidência é tanta que parece piada: o homem que prega jejum espiritual teria feito a própria campanha dentro de um “posto fantasma”. Só faltava um altar de gasolina e uma Bíblia com cheiro de etanol adulterado.


Do púlpito ao caixa 2 disfarçado

Nikolas Ferreira é conhecido por usar a religião como escudo. Prega contra o aborto, contra o casamento igualitário, contra “o comunismo” — mas nada fala sobre os pecados do capital que o cercam.
A reportagem também cita que parte das doações recebidas veio de empresários que figuram em investigações da Receita Federal por sonegação e lavagem de dinheiro, todos ligados ao setor de combustíveis e ao entorno político do ex-senador Aécio Neves.

É a velha política travestida de salvação nacional.
E Nikolas, com seu sorriso de púlpito e frases de efeito, surge como um personagem pronto para o marketing da fé — aquele que grita “Deus acima de todos”, mas mantém o cartel acima de qualquer suspeita.


O falso moralismo em chamas

O caso levanta uma pergunta inevitável: quantos litros de hipocrisia movem o moralismo bolsonarista?
A resposta, ao que parece, está no tanque do deputado mais votado de Minas Gerais. Sua “santidade movida a gasolina” mostra como parte da nova direita brasileira foi construída sobre velhas engrenagens de poder econômico, dinheiro sujo e discursos religiosos usados como cortina de fumaça.

Enquanto o povo paga caro pelo combustível adulterado, os “moralistas” seguem faturando — agora com o aval divino e o silêncio conveniente dos fiéis.


A cobrança que precisa vir

A revelação de Sara Vivacqua acendeu luzes no Ministério Público e provocou reação de parlamentares que pedem investigação no STF e na PGR sobre o financiamento de Nikolas.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) já apresentou representação pedindo apuração da captação ilícita de recursos e lavagem eleitoral.

Mas, como costuma acontecer no Brasil, o moralista de terno e Bíblia sempre encontra um púlpito para chorar — e uma plateia disposta a acreditar.
A diferença é que agora a máscara caiu, e o cheiro de combustível no ar não é só da bomba: é da podridão política que o moralismo tenta disfarçar com perfume evangélico.


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