
Em um Mato Grosso que lidera o ranking de feminicídios e estupros, o destino político do estado está nas mãos das mulheres — a maioria nas urnas e as maiores vítimas do descaso.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Os números não mentem — e as mulheres de Mato Grosso precisam ouvi-los alto e claro.
Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), 51% do eleitorado do estado é feminino, o que representa mais de 1,3 milhão de mulheres com título de eleitor ativo. São elas que, com um simples voto, podem definir quem governa, quem cai e quem nunca mais volta ao poder.
E é justamente nesse cenário que o nome de Otaviano Pivetta, atual vice-governador, volta ao centro das atenções. Em 2021, Pivetta foi acusado de agredir sua então companheira, Viviane Kawamura, durante um voo particular.
A denúncia levou à concessão de medida protetiva de urgência pela Justiça. O caso foi mostrado em rede nacional pelo programa Fantástico, com o relato da vítima e confirmação judicial.
Pivetta negou as acusações, e em 2022 o Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito por “falta de provas suficientes”.
O processo foi arquivado, mas o episódio não desapareceu da história — e ressurge agora, quando o vice se apresenta como pré-candidato ao governo de Mato Grosso em 2026.
O retrato cruel de um estado violento
Desde 2019, quando Mauro Mendes e Pivetta assumiram o comando do estado, Mato Grosso se tornou o líder nacional em feminicídios.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que, em 2023 e 2024, o estado registrou taxas 78% acima da média nacional. Foram 2,5 mulheres assassinadas por 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira ficou em 1,4.
E o horror não para aí.
Em 2024, Mato Grosso contabilizou 2.715 casos de estupro, incluindo centenas de estupros de vulnerável — um aumento de 12% em relação a 2023.
Quatro cidades mato-grossenses — entre elas Sorriso, Tangará da Serra e Várzea Grande — estão entre as que mais registram violência sexual no país.
Enquanto isso, o estado conta com apenas 9 Delegacias da Mulher (DEAMs) e 27 núcleos de atendimento.
Dessas, só uma funciona 24 horas, em Cuiabá.
O governador Mauro Mendes chegou a afirmar, em setembro de 2025, que ampliar o funcionamento seria “impraticável”, alegando “alto custo”.
Caro é enterrar mulheres. Caro é conviver com o medo.
Se elas são maioria, o poder está nas mãos delas
As mulheres de Mato Grosso não são coadjuvantes na política — são o centro da decisão.
De cada 100 votos, 51 pertencem a mulheres, e a força desse eleitorado é maior que qualquer máquina partidária.
São elas que podem definir o próximo governador, e também impedir que o estado seja comandado por alguém acusado de violência doméstica.
É um paradoxo intolerável: o estado mais perigoso para ser mulher pode escolher como líder um homem que já foi acusado de agredir uma mulher.
O voto feminino, em 2026, será mais do que um ato político — será um julgamento moral e histórico.
O voto como escudo
As mulheres de Mato Grosso sabem o peso do medo.
Sabem o que é pedir ajuda e não ser ouvida.
Sabem o que é chegar a uma delegacia à noite e encontrar a porta fechada.
Sabem que o governo atual, que teve seis anos para mudar essa realidade, não mudou.
Por isso, 2026 não será uma eleição qualquer.
Será o momento em que 1,3 milhão de mulheres podem transformar o medo em resistência.
Elas têm o poder de impedir que o estado continue liderando o ranking da vergonha nacional.
O voto delas pode salvar vidas.
Conclusão
Otaviano Pivetta tenta apagar o passado e vender a imagem de gestor eficiente.
Mas a memória da sociedade não pode ser arquivada junto com o inquérito.
Em um estado onde mulheres seguem sendo assassinadas, não há espaço para quem já foi acusado de violência doméstica.
O futuro de Mato Grosso está nas mãos das mulheres — e só elas podem decidir se o estado continuará sendo manchete de tragédia ou exemplo de coragem.
Elas decidem 2026. Elas decidem a história.

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