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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Governador de Mato Grosso premiou com dinheiro público uma empresa flagrada em um dos maiores casos de escravidão moderna do país. A política de “incentivos” virou um escândalo de omissão e irresponsabilidade estatal.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O governo Mauro Mendes está no centro de uma das maiores vergonhas da história recente de Mato Grosso. Enquanto milhares de famílias lutam por oportunidades dignas, o Estado abriu mão de R$ 136 milhões em incentivos fiscais para uma empresa que, meses depois, foi flagrada mantendo 563 trabalhadores em condições análogas à escravidão na construção de uma usina em Porto Alegre do Norte.
A beneficiada foi a Três Tentos Agroindustrial, agraciada com generosas renúncias fiscais via PRODEIC — programa que deveria estimular o desenvolvimento, mas se transformou em um bilhete premiado para quem explora mão de obra barata e despreza direitos humanos.

Uma política que chama de “desenvolvimento” o que é, na prática, cumplicidade

Segundo dados oficiais, a empresa recebeu R$ 105,3 milhões apenas em um dos programas de incentivo, além de outros R$ 30,2 milhões e abatimentos no ICMS. O total chega a R$ 136 milhões, dinheiro público que poderia ser investido em saúde, educação e infraestrutura.
O resultado prático? Trabalhadores amontoados em alojamentos sem ventilação, bebendo água de rio, com jornadas exaustivas e ameaçados por dívidas fraudulentas. O retrato do atraso — patrocinado pelo Estado.

A tragédia não caiu do céu. Ela foi construída passo a passo pela negligência. Enquanto o governo Mauro Mendes distribui renúncias bilionárias ao agronegócio e a grandes grupos industriais, a fiscalização trabalhista é sucateada e o combate às condições degradantes é empurrado para segundo plano.
A mesma caneta que assina benefícios milionários parece não ter tempo para exigir contrapartidas sociais. E aí, quando o escândalo estoura, o governo finge surpresa, como se não soubesse com quem estava lidando.

O silêncio conveniente e o cinismo institucional

Nem Mauro Mendes nem sua Secretaria de Desenvolvimento Econômico apresentaram qualquer autocrítica ou revisão dos processos de concessão de benefícios. Ao contrário: a defesa padrão é o “retorno econômico” dos incentivos — o mesmo discurso de sempre, que ignora a realidade das pessoas que pagam a conta com o próprio corpo.
A Três Tentos alegou desconhecimento das irregularidades. Difícil acreditar que uma empresa de grande porte, agraciada com tanto dinheiro público, não tenha responsabilidade sobre as práticas de suas contratadas. O caso foi tão grave que o BNDES suspendeu um financiamento de R$ 500 milhões para o grupo após o escândalo vir à tona.

Quando o Estado vira cúmplice

É impossível dissociar esse episódio da política econômica de Mauro Mendes. Em vez de premiar inovação, o governo de Mato Grosso estimula a exploração: incentiva quem degrada, ignora quem sofre e criminaliza quem denuncia.
Em nome de um “progresso” que só enriquece poucos, o governo transformou o tesouro público em capital de risco para práticas criminosas. Os 563 trabalhadores resgatados não são números — são vítimas diretas da omissão do Estado.

Se há um símbolo da contradição do bolsonarismo mato-grossense, ele está aí: o governador que posa de gestor eficiente, mas que fecha os olhos diante da escravidão moderna financiada com dinheiro do povo.
A pergunta que fica é simples: quantas vidas mais precisarão ser destruídas para que Mauro Mendes e sua equipe entendam que desenvolvimento sem dignidade é retrocesso com verniz de planilha?


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