A Voz do Povo em Tela
A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Petrobras anunciou nova redução no preço da gasolina e do diesel nesta segunda-feira (20), mas ainda não se sabe se o alívio chegará aos motoristas. Após a privatização da BR Distribuidora por Bolsonaro e Guedes, o mercado de combustíveis passou a ser controlado por grupos privados — e o repasse das quedas virou uma incógnita.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A Petrobras informou que, a partir desta terça-feira (21), o litro da gasolina passa a custar R$ 2,71 e o diesel R$ 3,80 nas refinarias — uma redução média de 4,9% e 2,8%, respectivamente. A expectativa é que o corte alivie o bolso do consumidor. Mas, na prática, o preço final depende das distribuidoras e dos postos — e é aí que a dúvida começa.

Em 2021, o governo Bolsonaro-Guedes concluiu a privatização da BR Distribuidora, antiga estatal responsável por abastecer os postos da Petrobras. A venda de 37,5% das ações restantes, por cerca de R$ 11,3 bilhões, retirou o controle público e entregou a empresa — rebatizada como Vibra Energia — ao mercado financeiro, com forte presença de investidores da Avenida Faria Lima.

Desde então, as reduções anunciadas pela Petrobras nem sempre chegam rapidamente à bomba. Quando o preço do barril sobe, o repasse é imediato; quando cai, o mercado costuma alegar “custos logísticos” ou “reposição de perdas”.

Uma herança de privatização e descontrole

A AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam que, desde a privatização, a margem das distribuidoras aumentou e o repasse ao consumidor desacelerou. O controle público foi substituído por grandes conglomerados privados, que definem preços conforme seus próprios interesses.

E esse setor privatizado é justamente o que concentra escândalos e investigações. De 2020 a 2024, operações da Polícia Federal e Receita Federal revelaram esquemas de fraude, adulteração e sonegação envolvendo mais de 1.000 postos e movimentações de R$ 52 bilhões. Parte do dinheiro circulava por fundos de investimento sediados na Faria Lima, com conexões suspeitas até com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Essas investigações expõem um mercado contaminado, que cresceu no vácuo do Estado. A antiga BR Distribuidora, símbolo da presença pública no setor, foi substituída por um sistema opaco e concentrado, onde quem manda são os acionistas — não o consumidor.

Entre a refinaria e a bomba: o buraco é grande

Com a nova redução da Petrobras, resta saber se o corte vai realmente aparecer nas bombas ou se a diferença será engolida pelas distribuidoras privadas.
Se o preço cair, será vitória do consumidor e da política de estabilidade da Petrobras.
Se não cair, ficará ainda mais evidente o erro histórico da privatização feita por Bolsonaro e Guedes — que transformaram um serviço essencial em campo de especulação.

Enquanto o motorista espera, os investidores da Faria Lima seguem abastecendo… de lucros.


Descubra mais sobre A Voz do Povo em Tela

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posted in

Deixe um comentário

Descubra mais sobre A Voz do Povo em Tela

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo