
Com 268 votos, deputados bolsonaristas suspendem processo do parlamentar goiano e transformam o plenário da Câmara em abrigo da impunidade
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O Brasil assistiu, mais uma vez, à degeneração moral da política bolsonarista dentro do Congresso Nacional. Com 268 votos a favor e 167 contrários, a Câmara dos Deputados decidiu suspender o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Gustavo Gayer (PL-GO) — um dos rostos mais barulhentos e extremistas da direita radical brasileira.
Gayer, acusado de calúnia, injúria e difamação, é o típico produto do bolsonarismo: um homem que construiu fama atacando professores, artistas, mulheres e minorias, enquanto se apresenta como “cristão e patriota”. Mas por trás do discurso moralista há um passado manchado de sangue — e agora, blindado por seus cúmplices, ele se torna o símbolo da impunidade institucionalizada.
Um passado de destruição e irresponsabilidade
Em 2000, Gustavo Gayer se envolveu em um acidente gravíssimo em Goiânia, dirigindo embriagado. O carro que ele conduzia colidiu violentamente com um ônibus, resultando na morte de duas pessoas e deixando uma terceira paraplégica.
Essas informações constam de reportagens de veículos como Metrópoles, CNN Brasil, Brasil247 e da própria Wikipédia, que resgatam o caso após o deputado tentar censurar colegas que mencionaram o episódio no plenário. O caso gerou denúncia por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e lesão corporal, mas foi posteriormente engavetado.
Uma das vítimas sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes — a vida destruída por um motorista bêbado que, anos depois, se apresentaria como “defensor dos valores cristãos”.
Em 2015, Gayer voltou a ser flagrado dirigindo embriagado em Goiânia, realizando manobras perigosas e colidindo contra uma estrutura urbana. Um reincidente que não aprendeu nada com o sofrimento que causou.
Nota de transparência: algumas publicações independentes, como o Diário do Centro do Mundo, relatam que o acidente teria deixado três mortos; porém, a maioria das fontes — como Metrópoles, Brasil247 e CNN Brasil — indicam duas vítimas fatais e uma pessoa paraplégica. Por respeito à precisão factual, adotamos a versão predominante e documentada.
O bolsonarismo e o escudo da vergonha
A decisão da Câmara de suspender o processo no STF não foi mero procedimento jurídico — foi um ato político, de blindagem explícita.
Os 268 deputados que votaram pela suspensão usaram o poder do voto popular para proteger um colega com histórico de crime de trânsito e de ataques verbais.
E o que poderia ter sido recebido com constrangimento ou silêncio virou motivo de comemoração no plenário. Parlamentares da base bolsonarista aplaudiram, sorriram, abraçaram o acusado e celebraram a própria covardia — como se tivessem vencido uma batalha em nome da “liberdade de expressão”. Uma liberdade que, para eles, significa a licença para ofender, matar e mentir sem consequência.
Enquanto isso, as famílias das vítimas assistem à cena com a dor de quem revê o passado ser tratado como piada.
Viram, pela TV, o Parlamento rir e bater palmas por um homem que destruiu suas vidas — como se a morte de seus entes queridos fosse apenas mais um detalhe na carreira política de um “patriota”.
É o tipo de ferida que o tempo não cura: a dor de perder e ainda ver o assassino moralmente absolvido pelo poder.
O moralismo hipócrita
Gustavo Gayer encarna o perfil mais perigoso do fascismo moderno: o extremista que grita em nome da “família” e “Deus”, mas carrega nas costas o peso da destruição que causou.
É o mesmo deputado que ataca professores e universidades, chamando-os de “doutrinadores”, mas não tem coragem de encarar sua própria história. O mesmo que difama jornalistas, mas se esconde sob o manto da imunidade. O mesmo que fala em moral e bons costumes, mas já foi flagrado repetidas vezes dirigindo embriagado.
A incoerência é tamanha que o bolsonarismo consegue, em um só gesto, defender o criminoso e atacar a vítima.
É a lógica invertida dos que se dizem “patriotas”: quem mata é tratado como herói; quem denuncia é tachado de comunista.
O Congresso como cova moral
A votação que blindou Gayer é o retrato fiel de um Parlamento tomado por interesses próprios e incapaz de representar o povo.
Enquanto milhões de brasileiros lutam para viver com dignidade, deputados transformam o plenário em tribunal de autoproteção, usando a Constituição como escudo para crimes.
A extrema-direita, que vive acusando o STF de “excesso de poder”, mostra agora que quer abolir qualquer forma de justiça.
O caso Gayer não é isolado: é parte de uma estratégia maior para desmoralizar instituições e desacreditar o Judiciário, preparando terreno para a impunidade permanente.
Em nome da “liberdade de expressão”, legitimam o ódio, a mentira e a destruição.
Em nome da “pátria”, transformam a política em abrigo de delinquentes.
A democracia atropelada
O caso Gustavo Gayer é simbólico: mostra o que acontece quando o poder político perde a vergonha e se torna cúmplice do crime.
O bolsonarismo não quer apenas disputar o poder — quer reescrever as regras do país, autorizando seus representantes a viver acima da lei.
Enquanto o cidadão comum vai preso por dirigir embriagado, um deputado bolsonarista que matou duas pessoas e deixou uma paraplégica é protegido pela Câmara dos Deputados.
É o Brasil da inversão moral, onde o crime compensa — desde que o criminoso use gravata e grite “mito” no microfone.
E, quando o Parlamento se ajoelha diante de um delinquente, quem fica atropelada é a própria democracia.

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