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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Enquanto se vendia como “defensor da moral e da pátria”, Eduardo Bolsonaro é investigado por atacar instituições, faltar ao trabalho e transformar o mandato em palanque virtual.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados abriu oficialmente um processo contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o autoproclamado “03”, que há tempos parece mais interessado em fazer lives e discursos inflamados do que exercer o cargo para o qual foi eleito. O caso foi movido pelo PT, sob acusação de quebra de decoro parlamentar — e não é para menos.

Segundo a representação, o filho do ex-presidente teria promovido ataques sistemáticos a instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), além de tentar influenciar autoridades estrangeiras a aplicar sanções contra magistrados e servidores brasileiros, em retaliação às investigações que envolvem o clã Bolsonaro.

Mas o detalhe que completa o retrato da hipocrisia: o deputado sequer tem aparecido para trabalhar. Ele está fora do país há semanas, sob licença para “interesses particulares” — licença essa que já venceu. Enquanto isso, o parlamentar que vive acusando adversários de “mamatas” é justamente quem não cumpre suas obrigações e segue recebendo salário pago com dinheiro público.

Três nomes e um destino incômodo

No sorteio do Conselho, foram selecionados três possíveis relatores: Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Marcelo Freitas (União Brasil-MG). A decisão final ficou nas mãos do presidente do colegiado, Fábio Schiochet (União Brasil-SC), que definiu Marcelo Freitas como relator do processo.

O parlamentar mineiro tem até 10 dias para apresentar o parecer de admissibilidade — e Eduardo, cinco dias para tentar se defender. Uma defesa difícil, já que suas próprias palavras o condenam: o deputado EAD (Ensino a Distância) virou símbolo do bolsonarismo digital, aquele que só aparece em vídeo, mas foge quando precisa dar explicações no plenário.

O mito da imunidade absoluta

A representação lembra que a imunidade parlamentar não é salvo-conduto para atacar a democracia. O privilégio existe para proteger o debate político, não para acobertar quem trabalha contra as instituições do próprio Estado. Eduardo e seus seguidores, porém, insistem em usar a liberdade de expressão como escudo para o ódio e a desinformação.

Não é a primeira vez que o “03” tenta posar de mártir. Quando é cobrado por suas declarações golpistas, corre para o discurso ensaiado de “perseguição política”. Mas o país já cansou dessa ladainha. A verdade é que o deputado fugiu do Brasil — fugiu do trabalho, fugiu da ética, e agora tenta fugir das consequências.

Um trono de vidro rachado

A ironia da história é amarga: o mesmo grupo que dizia lutar “contra a impunidade” agora chora diante da aplicação da lei. O Conselho de Ética fará o que o eleitorado bolsonarista parece ter esquecido — cobrar responsabilidade de quem tem mandato.

Enquanto isso, a Câmara assiste, entre perplexa e cansada, ao espetáculo de sempre: o “príncipe herdeiro” do autoritarismo se achando intocável, mesmo quando a máscara já caiu há tempos.

Se justiça houver, o deputado EAD vai finalmente conhecer o peso da palavra decoro — aquele conceito que ele insiste em confundir com “decoração”.


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