
Prefeito bolsonarista corta insalubridade, persegue trabalhadores e ameaça substituir profissionais por terceirizados — enquanto a categoria mais sofrida do país luta por respeito e dignidade.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A gestão de Abílio Brunini (PL) à frente da Prefeitura de Cuiabá parece ter escolhido um novo inimigo: o servidor público. Após o corte do adicional de insalubridade, medida que atinge em cheio os profissionais da Saúde, o prefeito partiu para o ataque. Chamou de “ilegal” o direito de greve e ameaçou abrir Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra os trabalhadores que protestarem.
Não satisfeito, anunciou que pretende substituir servidores por uma empresa terceirizada, caso a paralisação se confirme. Um gesto autoritário, de quem governa na base do medo e despreza o diálogo, ferindo o que há de mais sagrado na Constituição: o direito à livre manifestação e à luta por justiça.
Greve é direito, não crime
O artigo 9º da Constituição Federal garante o direito de greve a todo trabalhador brasileiro. No caso dos servidores públicos, o artigo 37, inciso VII, reafirma esse princípio, estabelecendo que o exercício do direito deve respeitar limites legais — o que nunca significou proibição.
A tentativa de Brunini de classificar a greve como “ilegal” é, portanto, um abuso de autoridade. Ele não tem competência para revogar um direito garantido pela própria Constituição. E ao ameaçar servidores com punições, o prefeito ataca não apenas a categoria da Saúde, mas o próprio Estado Democrático de Direito.
O que se esperava de um gestor comprometido com a cidade era diálogo, escuta e sensibilidade. Mas o que se vê é um prefeito agindo como dono da prefeitura — com discurso bolsonarista e comportamento típico de quem confunde liderança com autoritarismo.
A categoria que mais sofre — e que mais sustenta o sistema
Nenhum trabalhador enfrenta condições tão duras quanto os profissionais da Saúde. São técnicos, enfermeiros, médicos e agentes que convivem diariamente com o sofrimento humano, jornadas exaustivas e riscos constantes. Durante a pandemia, foram eles que salvaram vidas enquanto políticos faziam palanque.
O adicional de insalubridade, cortado ou reduzido pela nova política de Brunini, não é um luxo: é uma compensação mínima pelos riscos biológicos e físicos enfrentados no trabalho. Ao alterar o cálculo para incidir apenas sobre o salário-base, o prefeito reduziu significativamente o valor recebido — retirando de quem mais precisa o pouco que aliviava o peso do dia a dia.
A reação da categoria é legítima e necessária. Quando o diálogo é negado, a greve se torna a última forma de ser ouvido.
Autoritarismo travestido de eficiência
O comportamento de Abílio Brunini segue o mesmo padrão que o acompanhou em sua carreira política: agressividade, populismo e pouca entrega administrativa. Desde que assumiu a prefeitura, acumulou conflitos com sindicatos, servidores e até secretários.
Em um de seus primeiros atos, editou um decreto proibindo que gestores municipais se manifestem sem autorização do gabinete, centralizando o poder e sufocando a transparência. Agora, transfere esse autoritarismo para a Saúde, setor vital que exige diálogo e empatia.
A ameaça de substituir profissionais concursados por terceirizados é um ataque direto à estrutura pública. A terceirização massiva não representa eficiência, mas precarização: salários menores, vínculos frágeis e perda de controle social sobre os serviços essenciais.
A chamada “gestão moderna” de Brunini mostra-se, na prática, um projeto de retrocessos disfarçados de eficiência.
Cuiabá precisa de respeito — não de propaganda
Enquanto o prefeito se preocupa em produzir vídeos, slogans e discursos inflamados, a população enfrenta a realidade dura das filas nas UPAs, da falta de medicamentos e da sobrecarga nos hospitais.
Cuiabá não precisa de mais marketing. Precisa de política pública. Precisa de uma administração que respeite quem trabalha, valorize os profissionais da Saúde e compreenda que o servidor não é inimigo — é o alicerce do serviço público.
O corte da insalubridade e a perseguição aos grevistas não afetam apenas os trabalhadores, mas todo o sistema de atendimento. Quando o profissional desmotivado adoece ou desiste, quem sofre é o povo.
Lutar é um ato de coragem
Fazer greve, neste contexto, é um ato de coragem. É dizer “basta” a um governo que prefere punir a negociar. É resistir contra a tentativa de transformar a máquina pública num palanque ideológico.
A categoria da Saúde, tantas vezes esquecida, mostra mais uma vez que não se dobra. A luta por direitos é, também, uma luta por respeito à cidade, à democracia e à própria vida.
Abílio Brunini pode tentar calar, mas não pode apagar a verdade: Cuiabá só funciona porque os servidores da Saúde resistem.
E se o prefeito acha que pode governar pela força, vai descobrir que nenhum decreto é mais forte do que a coragem de quem luta.

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