
Você sabe a diferença entre fundo partidário e fundo eleitoral? Enquanto Lula propôs apenas R$ 1 bi, parlamentares querem sangrar áreas essenciais para bancar suas campanhas
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Antes de entender o tamanho desse escândalo, é preciso esclarecer uma confusão que costuma ser usada para enganar a população: fundo partidário não é a mesma coisa que fundo eleitoral.
O fundo partidário, criado em 1995, serve para manter os partidos funcionando no dia a dia: pagar aluguel, contas, salários, viagens e atividades internas. Já o fundo eleitoral, instituído em 2017 após o fim das doações empresariais, é exclusivo para financiar campanhas em ano de eleição. É dele que estamos falando aqui — e é justamente esse fundo que o Congresso decidiu inflar com dinheiro público, às custas da saúde, da educação e da segurança da população.
O golpe no orçamento
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, de forma simbólica e sem registro de votos, a elevação do fundo eleitoral para 2026: de R$ 1 bilhão, valor proposto pelo Governo Federal, para absurdos R$ 4,9 bilhões.
E a conta? Vai sair da saúde, da educação, da segurança pública, das universidades e das creches. Serão R$ 2,9 bilhões drenados das emendas de bancada e mais R$ 1 bilhão retirado das chamadas despesas discricionárias — recursos que poderiam financiar hospitais, escolas, policiamento, pesquisa científica e infraestrutura. Em bom português: estão rasgando o orçamento público para bancar santinhos, cabos eleitorais e marqueteiros.
Democracia sequestrada pelo dinheiro
Em 2024, o fundão já custou os mesmos R$ 4,9 bilhões, e qualquer tentativa de reduzi-lo foi esmagada pelos parlamentares. Agora repetem a dose, ignorando que milhões de brasileiros vivem em filas do SUS, estudam em escolas precárias e enfrentam falta de policiamento.
Enquanto o presidente Lula defendeu um valor mais enxuto, equilibrado e compatível com as necessidades do país, o Congresso inimigo do povo agiu como se o Brasil fosse um caixa eletrônico de luxo para suas campanhas.
Cortando de onde mais dói
A hipocrisia é explícita. Parlamentares bolsonaristas e fisiológicos, que não hesitam em atacar o Bolsa Família e programas sociais que custam muito menos e salvam vidas, agora se unem para multiplicar o dinheiro das próprias campanhas. Quem perde é o povo: a UBS que não abre, a creche que não sai do papel, a estrada que continua esburacada, a polícia que não chega no bairro periférico.
O paralelo com a PEC da Blindagem
Esse roteiro não é novo. Na PEC da Blindagem, tentaram enfraquecer a Justiça para proteger políticos corruptos. Agora, o ataque é ao orçamento público. Se antes a meta era calar juízes, hoje o objetivo é calar o povo ao sugar os recursos que deveriam melhorar sua vida.
Sociedade contra a farsa
O Brasil não pode aceitar que urnas valham mais que vidas. Cada parlamentar deve ser cobrado: qual hospital vai perder recurso para bancar sua propaganda? Qual escola pública vai ficar sem verba para pagar seu cabo eleitoral? Qual viatura vai deixar de rodar porque o dinheiro foi parar no seu comitê?
O povo precisa reagir, como reagiu contra a PEC da Blindagem. Só a pressão popular pode barrar esse sequestro bilionário da democracia.
Como o fundão é dividido
O fundão eleitoral não é distribuído igualmente: 2% vão igualmente para todos os partidos registrados; 35% são divididos conforme os votos obtidos pela legenda na última eleição para a Câmara; 48% seguem o tamanho das bancadas na Câmara; e os 15% restantes são repartidos de acordo com as bancadas no Senado. Na prática, os grandes partidos ficam com a maior fatia, enquanto os pequenos disputam migalhas — e todos, grandes e pequenos, continuam sugando o dinheiro que falta em hospitais, escolas e segurança.

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