
O sonho bolsonarista era blindar corruptos, estupradores e assassinos de colarinho branco — mas a farsa morreu com 26 a 0.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A quarta-feira, 24 de setembro de 2025, entrou para a história como o dia em que o Senado rejeitou, por unanimidade, a famigerada PEC da Blindagem. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sepultou, com 26 votos a 0, a Proposta de Emenda à Constituição nº 3/2021, que previa ampliar os privilégios parlamentares a um nível nunca visto, transformando deputados e senadores em intocáveis diante da lei.
A rejeição foi definitiva. Pelas normas internas do Senado, apenas se houvesse voto divergente seria possível apresentar recurso para levar o tema ao plenário. Como a votação foi unânime, o projeto foi automaticamente arquivado, sem chance de ressuscitar.
O peso das ruas
A derrota da PEC não aconteceu por acaso. No domingo, 21 de setembro, movimentos populares, sindicatos, partidos de esquerda e cidadãos indignados ocuparam as ruas em várias capitais do país. O grito foi direto: “nem anistia, nem blindagem”. A pressão social teve efeito imediato: senadores recuaram diante da força das manifestações e optaram por não se comprometer com uma proposta que poderia ser lembrada como um dos maiores retrocessos institucionais da história recente.
O projeto da impunidade
A PEC da Blindagem previa que parlamentares só poderiam ser processados criminalmente com autorização prévia do Congresso, em votação secreta. Também permitiria que prisões em flagrante fossem revistas e anuladas pelos próprios colegas. Era, na prática, uma anistia preventiva: a institucionalização da impunidade, o paraíso dos corruptos, dos golpistas e dos falsos patriotas que vivem de atacar a Justiça, mas se escondem atrás do mandato quando pegos em crimes.
O relator da proposta, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), classificou o texto como “desvio de finalidade”, lembrando que prerrogativas parlamentares existem para proteger o exercício do mandato, não para blindar criminosos. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), foi além: “não há parlamento no mundo que acumule tantos privilégios como esse projeto pretendia”. O consenso na comissão mostrou que até setores da direita tradicional não tiveram coragem de abraçar o absurdo bolsonarista.
Fascistas derrotados
A PEC era a menina dos olhos da tropa de choque bolsonarista, que sonhava em transformar o Congresso num bunker contra investigações e decisões do Supremo Tribunal Federal. A derrota por unanimidade mostrou o isolamento desse grupo no Senado. Nem mesmo seus aliados mais fiéis quiseram carregar o peso de um projeto que mancharia ainda mais a imagem do Parlamento.
Os bolsonaristas que passaram anos gritando contra a corrupção foram flagrados tentando aprovar a maior blindagem da história política do país. Acabaram desmascarados, reduzidos à caricatura de falsos moralistas que não se sustentam diante da luz do dia.
A vitória da democracia
O arquivamento da PEC da Blindagem é uma vitória popular. Mostrou que o povo, quando vai às ruas, ainda tem poder de barrar retrocessos. É também uma resposta clara a quem insiste em relativizar a democracia: não há espaço para blindagem de bandidos. O Senado teve que se curvar ao clamor social, e os fascistas ficaram sem o escudo que tanto desejavam.
O 24 de setembro de 2025 será lembrado como o dia em que a democracia venceu a tentativa de blindar corruptos e golpistas. Um dia em que os verdadeiros patriotas — os trabalhadores e cidadãos que lutam nas ruas — venceram a farsa bolsonarista do privilégio e da impunidade.

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