
O ataque preconceituoso contra o jornalista Leandro Lima expôs o lado mais baixo da política em Sinop.
Mas foi também o momento em que o jornalista Daniel Trindade ergueu a voz em defesa da imprensa e da dignidade humana.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A íntegra da fala do jornalista Daniel Trindade na tribuna
“Boa noite, senhor presidente. Em seu nome cumprimento todos os vereadores. Professora Sandra, em nome do nosso amigo Celo Garcia, cumprimento todos os amigos, colegas, jornalistas da imprensa.
Senhor presidente, faço hoje o uso desta tribuna, em nome da categoria de jornalistas do Estado de Mato Grosso, para manifestar a solidariedade ao colega Leandro Lima, que foi alvo de ofensa injusta e inaceitável vinda de um representante desta Casa.
O jornalista Leandro, assim como todos os outros profissionais da comunicação, exerce diariamente a difícil missão de informar a sociedade, fiscalizar o poder público, garantir a transparência. Atacar o jornalista em razão da sua condição de saúde não é apenas uma agressão pessoal, é uma agressão à própria liberdade de imprensa e ao direito do cidadão de se manter bem informado.
A condição neurológica chamada de tremor essencial, com a qual o colega convive, não diminui em nada a sua competência, a sua seriedade e a sua coragem profissional. Reduzir esse quadro de saúde a motivo de zombaria é um ato que ultrapassa os limites do respeito, fere a ética e mancha a imagem do Poder Legislativo.
O que se espera de um parlamentar é o compromisso com o debate de ideias, com o fortalecimento da democracia e com o respeito e a dignidade humana. Infelizmente, não foi isso que vimos neste caso.
Reafirmamos, em nome de todos os jornalistas, o nosso repúdio a essa atitude e registramos o nosso apoio irrestrito ao jornalista Leandro Lima. Atacar um jornalista é tentar intimidar toda uma categoria. Mas deixo aqui o recado: não vamos nos calar. O jornalismo seguirá firme cumprindo o seu papel de informar, questionar e defender a sociedade.
Lembro aqui, senhores, as palavras de Carlos Drummond de Andrade, que tão bem expressou a essência da liberdade: a liberdade de imprensa é a base de todas as liberdades. Sem ela, a democracia é apenas palavra vazia.
Por isso, faço um chamamento aos jornalistas, aos assessores de imprensa, aos comunicadores e a todos os profissionais da mídia: que possamos estar unidos em defesa da nossa profissão, em defesa da verdade e da dignidade do trabalho jornalístico.
A força da categoria não está em falácias de uns e outros. O nosso sindicato é forte e mantém sempre a proteção e a resistência da voz que será transmitida para a população.
Quero aqui agradecer publicamente o nosso presidente do Sindjor/MT (Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso), jornalista Itamar Perenha, e toda a diretoria. Agradecer também ao nosso diretor de prerrogativas, jornalista e advogado, doutor Rogério Florentino, pelo apoio incondicional.
Também registro o agradecimento à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), na pessoa da nossa presidenta, jornalista Samira de Castro, pela manifestação firme e solidária diante desse episódio.
Estendo ainda meu agradecimento a todos os colegas jornalistas que se manifestaram em solidariedade, aos sites, rádios, TVs e todos os meios de comunicação que deram publicidade ao caso e ampliaram a repercussão desse ato. Esse apoio demonstra a força da categoria e a importância da união diante de qualquer tentativa de intimidação.
Que esse caso, senhores, sirva não apenas como rebote, mas como ponto de união e fortalecimento da nossa categoria. Porque quando um jornalista é atacado, todos nós somos atingidos. E é juntos que nós organizamos e seguimos fortes.
Todas as sessões, nós somos alvos de ataques nessa tribuna. Veículos de comunicação são taxados como descomprometidos. Neste momento, eu peço aos senhores vereadores, e faço aqui um apelo em nome de todos os jornalistas e da sociedade: que esta Casa faça valer o seu próprio regimento.
Peço que os vereadores apliquem o regimento, porque é nele que estão previstas as regras que garantem o direito, a ética e o decoro parlamentar. E não se trata de uma vontade individual, mas sim de cumprir a lei da própria Casa, que existe para preservar a credibilidade desta instituição na qual o povo confia.
O regimento não pode ser apenas um livro guardado na prateleira. Ele é um instrumento que dá legitimidade às ações desta Casa e assegura a todos os vereadores que ajam dentro dos princípios que juraram defender.
Cumprir o regimento, senhores, é honrar o mandato que a sociedade transmitiu a todos vocês como representantes.
Quero agradecer pela palavra e dizer aos jornalistas que o sindicato está à disposição. Estamos trazendo para Sinop uma base do sindicato, e nenhum jornalista, a partir de hoje, vai ser calado ou intimidado – não só em Sinop, mas em todo o Estado de Mato Grosso. Obrigado.”
Nota de repúdio do site A Voz do Povo em Tela
O site A Voz do Povo em Tela manifesta seu mais absoluto repúdio às declarações do vereador Marcos Vinícius Borges (PSDB) contra o jornalista Leandro Lima do Nascimento. O preconceito travestido de zombaria não pode ser tolerado em nenhuma instância, sobretudo dentro de uma Casa Legislativa que deveria zelar pelo respeito, pela ética e pelo decoro parlamentar.
Solidarizamo-nos com Leandro Lima, vítima direta deste ato, e reafirmamos nosso apoio irrestrito a todos os jornalistas que exercem com coragem a missão de informar a sociedade. O silêncio diante da intimidação não é opção: seguiremos firmes na defesa da liberdade de imprensa, da democracia e da dignidade humana.

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