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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

A bancada evangélica mostra que seu altar não é o da fé, mas o do poder, da divisão e da impunidade

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A democracia brasileira está diante de um ataque que entrará para a história como um dos mais graves desde a Constituição de 1988. A chamada PEC da Blindagem e a PEC da Anistia, ambas conduzidas pelo bolsonarismo e pela bancada evangélica, não são simples manobras legislativas: são o passaporte da impunidade, a tentativa de transformar o Congresso no verdadeiro PCC — Primeiro Comando do Congresso. Se aprovadas, significarão o triunfo das facções políticas sobre a democracia.

A PEC da Blindagem concede aos parlamentares o poder de decidir se seus próprios colegas podem ser presos ou investigados. É como permitir que um réu escolha seu juiz e ainda dite a sentença. Trata-se da institucionalização do “código do silêncio” do crime organizado dentro do parlamento. Já a PEC da Anistia, escancaradamente, pretende livrar Jair Bolsonaro e seus cúmplices de qualquer punição pelos crimes do 8 de janeiro, quando a imagem do Brasil foi manchada diante do mundo pelas cenas grotescas de vandalismo contra a democracia. A anistia seria, portanto, a absolvição oficial do golpismo — uma vergonha internacional que transformaria o Brasil em case de impunidade.

Enquanto o povo sofre com a alta de preços, com a dificuldade de pagar aluguel e com a expectativa da aprovação da isenção do imposto de renda para quem ganha até dois salários mínimos, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), relator e articulador dessas propostas, decide gastar tempo e energia para pautar PECs que só interessam a criminosos de colarinho branco e políticos corruptos. É uma traição aberta ao povo brasileiro. Motta se converte em símbolo do parlamento cúmplice: não trabalha para o cidadão, mas para garantir que seus aliados jamais enfrentem a Justiça.

As contradições do bolsonarismo e da bancada evangélica são escandalosas. Dizem defender a “família”, mas querem libertar quem atacou o país. Pregam “moralidade”, mas defendem perdão para um ex-presidente condenado por tentar dar golpe de Estado. Atacam programas sociais como Bolsa Família, que tiram milhões da miséria, mas silenciam quando o Congresso aprova perdão bilionário de dívidas do agronegócio e de bancos, drenando recursos de saúde e educação. Criticam o STF como “ativista”, mas correm para pedir socorro ao mesmo Judiciário quando suas carreiras políticas estão em risco.

Na boca dos falsos moralistas, o Evangelho vira arma política. Citam a Bíblia em discursos inflamados, mas seus votos fortalecem a desigualdade, a violência e a corrupção. Transformam o púlpito em palanque, e o nome de Deus em slogan vazio. São fiéis ao poder, não à fé. Mais próximos de Herodes do que de Cristo, sacrificam a democracia em troca de privilégios.

O Brasil não pode aceitar calado que seu Congresso se transforme em bunker de facções políticas. Se o crime organizado se infiltra em postos de gasolina e empresas de fachada, agora quer ocupar cadeiras do Legislativo blindado por PECs que servem de colete à prova de Justiça. É disso que se trata a PEC da Blindagem: uma armadura institucional para criminosos eleitos pelo voto da mentira e do ódio.

Os países que trilharam o caminho da impunidade legislada colhem hoje regimes autoritários e democracias corroídas. Se o Brasil seguir essa estrada, trocará o Estado Democrático de Direito por uma cleptocracia parlamentar, onde leis são feitas não para proteger o povo, mas para proteger os corruptos. E os bolsonaristas já mostraram de que lado estão: contra o povo, a favor do crime, inimigos da democracia.


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