
Enquanto o povo luta por saúde, educação e segurança, deputados investigados por emendas PIX se unem em torno de um projeto que só serve para aumentar a impunidade no Congresso Nacional.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O Brasil assistiu, no dia 16 de setembro, a mais uma cena de autoproteção política no Congresso Nacional. A votação da chamada PEC da Blindagem reuniu velhos conhecidos da política mato-grossense, que encontraram nela um escudo contra a Justiça. Entre os seis parlamentares do estado que disseram “sim” à proposta, dois estão oficialmente sob investigação do Ministério Público Federal (MPF): Coronel Fernanda (PL) e Coronel Assis (União Brasil).
A proposta, que limita a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e obriga que qualquer investigação contra políticos seja autorizada pelo próprio Congresso, ganhou ainda mais corpo depois que o ministro do STF, Flávio Dino, determinou apuração de R$ 6,45 milhões em emendas PIX. A reação foi imediata: quem deve, teme.
Coronel Fernanda na mira do MPF
A deputada bolsonarista Coronel Fernanda aparece em investigações relacionadas a emendas PIX destinadas a prefeituras de Mato Grosso. Entre os repasses, estão R$ 1,4 milhão para Chapada dos Guimarães e R$ 300 mil para Alto Boa Vista. O MPF instaurou procedimentos para verificar a transparência e a correta aplicação desses recursos.
Outra investigação envolve uma emenda de R$ 590 mil para Cocalinho, em que o MPF pediu detalhes sobre a destinação do dinheiro. O risco de uso político e falta de fiscalização são as principais suspeitas levantadas. Fernanda, no entanto, segue o script da negação: diz que todas as emendas são constitucionais e foram usadas para ajudar municípios em crise.
Vale lembrar que a deputada também já foi alvo de pedido de investigação por suposta participação na organização de caravanas para os atos golpistas de 8 de janeiro. Um histórico nada condizente com quem deveria defender a democracia.
Coronel Assis e a emenda milionária
Outro nome forte do bolsonarismo em Mato Grosso, Coronel Assis também está sob análise do MPF. O alvo é uma emenda de R$ 1,446 milhão enviada via PIX para Várzea Grande, supostamente destinada a obras de pavimentação. O Ministério Público exige que a prefeitura apresente documentos que comprovem a aplicação correta dos valores.
Assim como Fernanda, Assis nega qualquer irregularidade e tenta jogar a responsabilidade para os gestores municipais. Mas o fato é que o dinheiro saiu de sua cota parlamentar e agora é alvo de investigação federal.
A blindagem da impunidade
Além de Fernanda e Assis, também votaram a favor da PEC da Blindagem os deputados Gisela Simona (União), Rodrigo da Zaeli (PL), Nelson Barbudo (PL) e José Medeiros (PL). Nenhum deles aparece, até agora, em investigações ligadas às emendas PIX. Já Emanuelzinho (MDB) e Juarez Costa (MDB) foram os únicos da bancada mato-grossense a votar contra o projeto.
O detalhe que não pode passar despercebido é a lógica da autopreservação. Quanto mais perto a Justiça chega, mais o Congresso tenta erguer muros de proteção. A PEC da Blindagem é, na prática, um salvo-conduto para corruptos e aliados, um golpe na independência dos poderes e um soco na cara da população que exige transparência.
Quem rouba tem que pagar
O Brasil não precisa de blindagem para políticos, mas de punição para corruptos. Não há democracia possível quando quem legisla passa a ditar regras para escapar da Justiça. É por isso que essa PEC não pode prosperar. O povo sabe: quem roubou tem que pagar.
Enquanto hospitais carecem de recursos, escolas enfrentam dificuldades e estradas permanecem esburacadas, milhões de reais em emendas seguem sob suspeita. É disso que se trata a blindagem: não de proteger a democracia, mas de salvar a pele de quem tem muito a explicar ao país.

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