
Bolsonarista corre do prejuízo e recorre até contra valor reduzido, enquanto a União continua sem ver a cor do dinheiro
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
As eleições de 2024 em Cuiabá deixaram um rastro que ainda reverbera na Justiça Eleitoral: as contas de campanha do então candidato Abílio Jacques Brunini Moumer (PL), atual prefeito da capital, foram desaprovadas em primeira instância pelo juiz Alex Nunes de Figueiredo, da 55ª Zona Eleitoral, com determinação de devolução de R$ 2.804.867,65 ao Tesouro Nacional. A decisão de dezembro de 2024 escancarou gastos sem comprovação e uso irregular de recursos do fundo eleitoral.
A defesa do prefeito, claro, não se deu por vencida. Recorreu ao TRE-MT, conseguiu que o processo fosse reenviado para nova análise técnica pela ASEPA (Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias), e em março de 2025 o parecer técnico trouxe uma reviravolta: recomendou a aprovação com ressalvas das contas e reduziu o valor a ser devolvido para cerca de R$ 513 mil.
Nem com o desconto de mais de R$ 2,3 milhões a defesa sossegou. Vieram novos recursos, contestando cada centavo apontado como irregular. O Ministério Público Eleitoral, em contrarrazões apresentadas em janeiro, manteve posição dura pela desaprovação das contas e pela devolução integral. O processo, registrado sob o número 0600483-58.2024.6.11.0055, segue tramitando no PJe da Justiça Eleitoral.
O detalhe mais incômodo para o bolso do contribuinte é que até agora não há registro de que o valor reduzido tenha sido efetivamente pago. Nenhum comprovante de GRU foi juntado ao processo. O que há é um cenário de limbo: de um lado, a sentença que manda devolver R$ 2,8 milhões; de outro, o parecer técnico que recomenda cortar para R$ 513 mil; e, no meio, a estratégia de recorrer indefinidamente para adiar o inevitável.
Para quem se elegeu sob o discurso da “nova política” e se apresenta como paladino da moralidade, Abílio Brunini demonstra que sabe bem jogar o jogo velho: recorrer, empurrar com a barriga e, no fim, deixar a conta para a sociedade pagar.
No fundo, o caso expõe uma contradição gritante: enquanto bolsonaristas atacam programas sociais como “gasto desnecessário”, as campanhas de seus líderes drenam milhões do fundo público e ainda tentam escapar de devolver o que foi usado de forma irregular. A União espera, a Justiça caminha, mas a conta continua pendurada.

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