
Extrema direita expõe o falso moralismo do “Deus, Pátria e Família” com discurso de ódio em plena Câmara Municipal
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Na quinta-feira, 4 de setembro de 2025, o Brasil assistiu a um dos episódios mais repugnantes da política e da religião misturadas ao ódio bolsonarista. Durante uma audiência pública transmitida ao vivo pela Câmara Municipal de Divinópolis (MG), o pastor evangélico bolsonarista Wilson Botelho confessou ter liderado, por mais de três anos, ações violentas contra moradores em situação de rua.
Em tom de ameaça explícita, Botelho revelou que tinha o “aval de um coronel da PM” e o apoio de dez homens para expulsar à força pessoas em vulnerabilidade. E, diante dos vereadores e da população, disparou frases estarrecedoras: “amanhã às 4h da tarde eu vou fazer seu sepultamento” e “você vai tomar dois tiros na cabeça”.
As declarações chocaram o país e geraram imediata repercussão nacional. O Ministério Público de Minas Gerais abriu investigação para apurar as falas do pastor e os supostos vínculos com a Polícia Militar, que ele citou como cúmplice.
Silêncio cúmplice dentro da Câmara
O que mais impressionou foi a reação — ou a falta dela — dentro da própria Câmara. A maioria dos parlamentares permaneceu em silêncio, agindo como se não estivessem diante de ameaças de morte explícitas. Apenas o vereador Vítor Costa (PT) se levantou, classificando o discurso como “inadmissível, perverso e criminoso”.
A secretária de Assistência Social de Divinópolis, Juliana Coelho, também presente à sessão, nada disse, reforçando a sensação de conivência. Dias depois, a Câmara Municipal publicou uma nota de repúdio, mas a resposta tardia não apagou a vergonha já registrada em vídeo.
A face real do “Deus, Pátria e Família”
A cena em Divinópolis é a tradução perfeita do bolsonarismo que sequestrou o discurso religioso. Enquanto pregam “Deus, Pátria e Família” nos púlpitos e palanques, líderes da extrema direita como Botelho transformam a fé em instrumento de violência e legitimação do ódio.
Não é um caso isolado: em todo o Brasil, discursos religiosos têm sido usados como fachada para atacar pobres, minorias e opositores políticos, num ritual de hipocrisia que envergonha a verdadeira fé cristã e desmoraliza a política nacional.
A tragédia social da população em situação de rua
As falas do pastor ganham contornos ainda mais cruéis quando confrontadas com a realidade brasileira. Segundo dados divulgados em abril de 2025, o país já ultrapassa a marca de 335 mil pessoas vivendo em situação de rua. Esse número é reflexo do desemprego, da desigualdade e do abandono do poder público.
São homens, mulheres e crianças que lutam diariamente pela sobrevivência em condições de extrema precariedade. Pessoas que deveriam ser amparadas pelo Estado e acolhidas pela sociedade, mas que se tornam alvo de ameaças de morte em pleno plenário de uma Câmara Municipal.
O evangelho contra a hipocrisia
A contradição se agrava porque Botelho fala em nome de Deus, mas suas palavras se opõem frontalmente ao que está escrito no Evangelho. No livro de Mateus 25:35-40, Jesus ensina:
“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era estrangeiro e me acolhestes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. (…) Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.”
Esse texto bíblico desmonta a farsa do falso moralismo bolsonarista. Cristo ensinou compaixão, solidariedade e cuidado com os mais frágeis. Wilson Botelho, em contrapartida, pregou ódio, violência e desprezo contra os que mais precisam de proteção.
Repercussão nacional e internacional
A denúncia contra Botelho repercutiu além de Minas Gerais. Organizações de direitos humanos já manifestaram preocupação com a escalada da violência política no país e com a conivência de autoridades que, diante de ameaças explícitas, permaneceram em silêncio.
O Ministério Público mineiro terá de investigar não apenas as falas criminosas, mas também as possíveis conexões com a Polícia Militar e o suposto esquema de intimidação coordenado por um líder religioso.
Esse episódio mostra, de forma brutal, a contradição dos que dizem defender valores cristãos e familiares, mas agem como milicianos de púlpito. O verdadeiro evangelho não se faz de ódio; o verdadeiro patriotismo não se sustenta em ameaças; e a verdadeira família não se constrói sobre o sangue dos pobres.
Enquanto bolsonaristas seguem brandindo o lema “Deus, Pátria e Família” para justificar sua farsa moral, o Brasil continua a gritar por justiça e democracia.

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