
A cepa é um desdobramento da ômicron e já foi classificada pela OMS como “variante sob monitoramento”, com sintomas incomuns como rouquidão e até surdez temporária
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O Piauí entrou no radar internacional da saúde pública após a confirmação da circulação de uma nova variante da Covid-19, batizada de XFG e apelidada de “variante da rouquidão”. Até agora, 21 pessoas precisaram ser internadas no estado devido à infecção pela cepa. A informação foi confirmada pela Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi), que vem monitorando de perto a evolução desse desdobramento da ômicron.
Segundo a gerente de Vigilância em Saúde da Sesapi, Marylane Viana, os pacientes hospitalizados apresentaram quadro respiratório e sintomas incomuns, entre eles rouquidão intensa, respiração curta, zumbido no ouvido, perda de olfato e paladar, além de episódios de surdez temporária. Apesar da necessidade de internação, nenhum caso evoluiu para óbito ou estado grave.
Classificação da OMS e cenário global
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconheceu oficialmente a XFG como “variante sob monitoramento”, status concedido a cepas com potencial de expansão e características diferenciadas. De acordo com a OMS, a XFG é resultado de um recombinante das linhagens LF.7 e LP.8.1.2, ambas descendentes da ômicron. Relatórios apontam que a presença da variante cresce em vários países, o que reforça a necessidade de acompanhamento constante.
Até o momento, não há evidências de que a XFG seja mais letal do que as variantes anteriores, mas especialistas internacionais alertam que seus sintomas “atípicos” precisam de investigação, principalmente pela possibilidade de afetar temporariamente a capacidade auditiva.
Perfil dos infectados
No Piauí, a maioria dos casos confirmados envolve homens entre 15 e 39 anos, faixa etária mais exposta devido à intensa circulação em atividades produtivas. Ainda não há dados conclusivos sobre a vulnerabilidade de outros grupos, mas a Sesapi reforça que crianças, gestantes e pessoas com comorbidades continuam sendo prioridade na vacinação.
Vacinação e medidas de prevenção
As autoridades de saúde insistem que a vacina contra a Covid-19 segue sendo a principal defesa contra complicações e internações. A Sesapi recomenda a atualização das doses de reforço e destaca a importância do uso de máscaras por pessoas sintomáticas, além do isolamento em casos confirmados, para frear a transmissão comunitária.
Especialistas alertam que, mesmo com a queda na percepção de risco após o avanço da imunização, a pandemia deixou um legado de atenção permanente. O surgimento da XFG reforça que o vírus continua a sofrer mutações e que relaxar nas medidas de prevenção abre espaço para novas ondas de contágio.
Consequências políticas e sociais
O aparecimento da variante no Piauí expõe uma contradição no debate público brasileiro: enquanto parte da sociedade ainda insiste em tratar a Covid-19 como algo superado, a realidade mostra que a vigilância sanitária continua essencial. A chegada da “variante da rouquidão” em território nacional coloca o Brasil novamente sob escrutínio internacional, lembrando que o país já foi um dos epicentros globais da pandemia durante o governo Bolsonaro, marcado pela negação científica e pelo atraso vacinal.
Agora, com o reforço das campanhas de imunização e o monitoramento constante das secretarias de saúde, o desafio é evitar que a XFG se torne mais um capítulo trágico da história recente da saúde pública.

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