
Ativista conservador morto em Utah defendia armas a qualquer custo, atacava direitos civis e espalhava teorias conspiratórias.
O jovem acusado pelo crime expõe uma hipocrisia ainda maior na política americana.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Charlie Kirk, fundador da organização ultraconservadora Turning Point USA, foi morto com um tiro no pescoço em 10 de setembro de 2025, durante um evento na Utah Valley University. A cena foi transmitida ao vivo para milhares de pessoas, transformando o palco em tragédia e abrindo uma nova batalha sobre as contradições do debate político nos Estados Unidos.
O ativista e suas frases fatais
Kirk construiu sua carreira em cima de frases que hoje soam como epitáfio. “Algumas mortes por armas por ano valem a pena”, disse em 2023, ao defender a Segunda Emenda como sagrada, mesmo diante de massacres em escolas e igrejas. Para ele, vidas perdidas eram “um preço aceitável”.
Chamou Martin Luther King Jr. de “horrível” e classificou a Lei dos Direitos Civis de 1964 como “um erro enorme”, alegando que teria criado “uma burocracia de diversidade”. Pregava que o “privilégio branco” era um mito, endossava a teoria conspiratória da “Grande Substituição” — a ideia de que imigrantes estariam “reduzindo” a população branca — e atacava clínicas de afirmação de gênero com discursos que pediam “julgamentos de Nuremberg” contra médicos.
Para a direita americana, Kirk era um herói. Para críticos, um propagandista do ódio.
O assassinato e o garoto acusado
O atirador foi identificado como Tyler James Robinson, 22 anos, morador de Utah. Estudou brevemente na Utah State University, mas abandonou os estudos. De acordo com a imprensa americana, Robinson não tinha antecedentes criminais. Amigos e familiares relatam que, nos últimos anos, ele se tornou mais político, demonstrando antipatia aberta contra Kirk e suas visões conservadoras.
O governador Spencer Cox declarou que Robinson tinha “crenças de esquerda” e estaria “doutrinado” contra a direita. Até agora, porém, não há confirmação de voto, filiação partidária ou de que tenha deixado manifesto político. A investigação segue em andamento.
O que a hipocrisia revela
O caso expôs uma contradição gritante. O governador de Utah, republicano, tratou o assassinato como “crime político” desde o primeiro momento, classificando o suspeito como “radical de esquerda”. Mas fica a pergunta: e se o atirador fosse negro, latino ou imigrante?
É inevitável imaginar como a narrativa teria sido diferente. Se fosse um jovem negro, a cobertura destacaria antecedentes, criminalização cultural e a “violência das minorias”. Se fosse imigrante, seria usado como munição contra a imigração e reforço ao muro que Trump sonhava construir. Mas sendo um jovem branco de Utah, o tom foi outro: “confuso, radicalizado, perdido”.
Essa diferença de tratamento mostra como a política americana continua refém de padrões raciais e seletivos. Quando um extremista branco mata, é “lobo solitário”. Quando a cor da pele muda, a generalização vem em bloco: “o problema é da comunidade, da cultura, da raça”.
Entre a bala e a frase
Charlie Kirk morreu pela mesma lógica que defendeu: a ideia de que mortes são custo aceitável da liberdade de armas. Sua biografia não pode ser reescrita como hino patriótico. Ele propagou medo, divisão e ódio.
A tragédia que o matou revela não apenas a violência política crescente nos Estados Unidos, mas também a hipocrisia de uma sociedade que mede o peso do crime pela cor e origem do autor. Kirk agora é mártir da direita. Robinson, o vilão. Mas no fundo, a cena só escancara o verdadeiro preço da bala.

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