
Enquanto o país espera justiça, o ex-capitão tenta resolver apenas as manchas da pele
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Neste domingo, 14 de setembro de 2025, Jair Bolsonaro deixou sua residência em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, para realizar um procedimento dermatológico no Hospital DF Star, na Asa Sul. Oficialmente, trata-se da remoção de duas lesões de pele — uma benigna e outra que será submetida à biópsia. Segundo a equipe médica, o atendimento é ambulatorial, com previsão de alta no mesmo dia.
Mas o detalhe curioso é que a autorização judicial se deu em meio a uma rotina de restrições: tornozeleira eletrônica, proibição de uso das redes sociais e o dever de comprovar, em até 48 horas, o atestado médico com local, data e horário do procedimento. Até para cuidar da pele, Bolsonaro precisa agora da anuência do STF, em especial do ministro Alexandre de Moraes, que acompanha cada passo de quem já tentou virar as costas para a democracia.
Este é o segundo deslocamento do ex-presidente desde que a prisão domiciliar foi decretada. E, se o tratamento de pele parece simples, a ferida que Bolsonaro carrega é bem mais profunda: uma ferida política, jurídica e histórica. Não é o bisturi que apagará a mancha de ter liderado a maior trama golpista da República.
Seus apoiadores tentam romantizar a saída como algo banal, mas a imagem de um ex-presidente algemado às ordens judiciais, saindo para tratar pequenas lesões, escancara a decadência de quem já ocupou o Planalto e hoje precisa implorar ao Supremo até para trocar de curativo. A ferida real não está na pele, está na biografia.
Enquanto o país tenta cicatrizar as marcas deixadas pelo bolsonarismo, Bolsonaro luta contra o próprio espelho: a cada intervenção, descobre que sua imagem pública está necrosada, e que nem a mais cara dermatologia de Brasília pode reverter a sentença da história.

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